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Recanto das letras

segunda-feira, 19 de março de 2012

A PEDRA



    A grande pedra rolou morro abaixo, foi solta por uma rajada mais forte de vento, ou por uma revolta da natureza, quem sabe... Rolou, feriu, matou, mas ao acabar sua força, ao chegar lá embaixo, estancou, parou e a ninguém mais atropelou.
     Já a outra, a pequena, rola furtivamente, clandestina que é, não para nunca, não perde a força, continua sempre, ferindo, machucando, viciando, matando.
     Ao acordar, o homem, aturdido, sob a chuva, não se reconhece mais, vendo -se naquela miséria absoluta, pensa, “afinal, ainda sou gente ou não passo de um animal?”
    - E agora, o que faço comigo mesmo? A chuva me despertou, me acordou de meu sono  sepulcral e tenho que ver no que a pedra me transformou.
    - Por favor, gritou... Juntem todas as pedras de seus caminhos, as joguem sobre mim, mesmo soterrado por elas, sem respirar não será tão ruim.
     Se fossem pedras de gelo, as veria sumir...
     Se fossem pedras do espaço, as veria uma cratera abrir...
     S e fossem as da vida, as veria alguém ferir...
     Mas esta, a maldita, aprisiona, amaldiçoa, só quer destruir...
     E na madrugada chuvosa e fria, neste momento de lucidez e sofrimento, pensa no que perdeu, a família, os filhos e no que se tornou, um escravo do vicio, sem moral, sem sonhos, e sem vontade de voltar, de retroceder.
     Quase sem forças, chorando, cambaleando, levanta-se e sai a caminhar, descalço, pouca roupa, na chuva... Rogando a DEUS...
     Uma pedra...
     No caminho...
     Para tropeçar, cair e até me machucar...
     Mas que ao de novo acordar, tenha uma mão amiga para me amparar...
     Socorrer e ajudar-me a novamente levantar...

      Lani

segunda-feira, 12 de março de 2012

PARA MEU NETO "PEDRO"



  
     Viajando por galáxias interplanetárias,
     Com seu super-herói preferido,
     Conversando com amigos imaginários,
     Ou apenas, como um anjo adormecido...

     Poderias ser um rei,
     Num castelo de brinquedo,
     Quem sabe aplicar a lei,
     Como um juiz de direito...

     Poderias ser do futuro,
     Brincando de gladiador,
     Quem sabe lutar pela verdade,
     Na figura de um promotor...

     Quero que, sejas apenas tu mesmo,
     Na figura de um lindo menino,
     De Jesus, receber muitas bênçãos,
     E do Pai, um lindo destino...

     Tu és, filho do meu filho,
     Portanto, um pouquinho meu,
     És meu neto querido,
     E por isto agradeço “Obrigada Deus”...

     Lani
                      - Fiz este texto para marcar a passagem dos
4 anos de nosso neto e mais novo membro desta família
que o ama muito.

terça-feira, 6 de março de 2012

NAS PROFUNDEZAS DO AMOR


   
      Quando me entreguei a ti,
      Em bandeja de prata,
      Não te senti...

      Quando contigo sorvi,
      Minha alma, em taça de cristal,
      Nada percebi...
 
      Quando, com meu canto de sereia,
      Para as profundezas do mar,
      Te atrai...

     Quando, como aranha, que a teia tece,
     E com seu veneno deixa a presa, entregue, inerte,
     Te submeti...

    Quando sob lençóis de seda,
    Numa dança, erótica, frenética,
    Contigo me contorci...

    Quando, na noite escura,
    Desvencilhei-me de ti,
    Tuas lágrimas, em minhas mãos enfim, senti,
    Vou embora, não posso mais ficar aqui...
    
    Sou sentimento, pertenço ao mundo.
    Em ti sempre fui um moribundo,
    Quase sucumbi, mas te venci,
    Sou o amor, sou forte, Sou de todos... Sou profundo...

    Lani       

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

POUCO TEMPO


      
     Saudades de um tempo, em que pr’a tudo havia tempo e cuja premissa, era viver cada momento.
     A vida passou e o tempo...
     Ah! O implacável tempo, cobrou.
     Flores plantadas e colhidas, pedras lançadas e recebidas, feridas abertas e cicatrizadas e golpes sentidos e desferidos.
     Junto a essas lembranças revejo, dias e noites se sucedendo, sinto uma garoa fina que ao cair, pinta de prata meus cabelos e a névoa que envolve meu corpo, desvenda-me os mistérios, de um tempo com pressa... Agora, quase sem tempo.
     Em meu olhar saudoso, revela-se o passado, as lágrimas correm para um tempo, que foi por mim ignorado e na quimera, escoam-se meus sonhos, pois pelo tempo, também foram, vencidos.
     Este mesmo tempo que já tive em minhas mãos e abstraí, escorre agora entre meus dedos, levando consigo tudo que não vivi.
     Por isso te digo tempo, se um dia novamente voltares, e eu ainda estiver aqui, traga de volta o que é meu de direito, eu não desisti, do que lembro podes ficar, já o consenti, pois, mesmo lutando contra ti,  de minha história não me arrependi, e por mais que queiras, tempo... Nunca a arrancarás daqui...

      Lani (Zilani Celia)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A DESPEDIDA



     Voz entrecortada,
     Lágrima suspensa,
     A mão estendida,
     Tremula, na despedida!

     Choro sentido, só por dentro,
     Na boca um sorriso,
     Um arremedo,
     Da alma, um lamento!

     Seu canto é um gemido,
     Chorado, seco, doído,
     Palavras sussurradas, ao vento,
     Que não alcançam seus ouvidos!

     Cantando sua desdita,
     Na vida não mais acredita,
     Soltando a voz para ganhar a vida,
     E no fundo de um copo, fazendo a despedida!

     Na canção triste está sua história,
     Seu amor partiu, foi embora,
     Levou consigo sua alma dorida,
     E a deixou aqui, só...  Vazia... Quase sem vida!

        Lani

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

RETRATO DA SAUDADE



  Quando lembro daquele retrato, da sala da minha infância,
  Vejo o olhar, o braço protetor sobre o ombro,
  Gravados em minha memória de criança,
  E ele lá, valentemente pendurado...

 Á medida que eu crescia,
 Ele se apagava, desaparecia,
 Um grande fascínio sobre mim exercia,
 Até quando, pensava... Ele resistiria?

E se na noite escura eu tinha medo,
Espiava pelo vão da porta entreaberta, ainda lembro,
La estavam eles na parede da sala,
Sorriam para mim carinhosamente e eu me acalmava...

Entre meus devaneios de criança, cresci,
O quadro da parede da sala, antevi,
Sendo dali retirado, deteriorado,
Mas eu ainda vi os dois, lá juntinhos, abraçados...

O retrato da sala de minha infância se apagou,
Mas em minha lembrança a imagem se solidificou,
Meu pai e minha mãe, bonitos, felizes, abraçados,
Para sempre em meu coração, assim estão gravados...

Lani

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A ÚLTIMA VALSA


     Com seu vestido de baile vermelho, maquiagem perfeita, cabelos soltos nos ombros, ela olhou-se no espelho, e gostou do que viu.
     Sabia ser sua noite derradeira, já havia decidido, sem ele não viveria.
     Ser trocada por outra, nunca admitiria.
     Assim, decidiu, com seu vestido de noite, vermelho, em seus braços morreria.
     Quando a orquestra começou a tocar, uma linda valsa de strauss, contrariando os costumes, altiva, atravessou o salão, e foi convidá-lo para dançar, todos pararam para olhar. Com a outra, esta noite ele não ficaria, ela não iria deixar.
     Com os olhos marejados, olhou para ela, era bonita, mas não passava de uma menina, como ele podia fazer isto comigo, se jurou que para sempre me amaria?
     Á medida que a valsa evoluía, ela o abraçava, e surpresa notou que ele correspondia, até beijou-lhe os cabelos, numa carícia quase divina, agora, ela já nada mais entendia.
     Ao passarem pela moça que dançava, ele disse, “conheces, esta é minha prima?”
     Seus olhos se arregalaram, o ar sumiu, as pernas dobraram, ele a sustentou...
     -Tarde demais, ainda pensou...
     -É o efeito do veneno que já começou...
     Pelo espelho a sua frente, o viu desesperado, chorando...
     E ela, com seu lindo vestido vermelho, expirando...
     Olhos fechando...     Morrendo...  
     Imaginando... 
     Com ele, sua ultima valsa dançando...

       Lani