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Recanto das letras

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A ÚLTIMA GOTA DE ORVALHO!


A manhã está fria, ainda é inverno,
Na árvore, uma gotinha congelada de orvalho,
Protege-se, da réstia de sol, atrás de uma folha,
Não quer derreter, mas, não há muita escolha...

Olha triste, para a linda, flor amarela,
Pela última vez, quer tocar sua pétala,
Sentir seu perfume e com toda a candura,
Dizer bem baixinho, o quanto a ama...

Quer beijar seus lábios, mas, há pouco tempo,
Lança-se ao ar, vai cumprir seu intento,
De chegar até ela e por um só momento,
Ser, sua seiva de vida, seu último alento...

Cai a chuva, o vento a arrasta, numa forte rajada,
De longe, vê seu amor, já toda molhada,
Desolada ela chora, ainda presa a um galho,
Dá adeus, à rosa amarela... A gotinha de orvalho...


        Lani (Zilani Celia)

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

DOR PUNGENTE!



  
Queres chorar e a lágrima não vem, se nega,
Trancou-se em teus olhos, tem vida própria,
Apenas brilha, recusa-se a aparecer,
Como estrela, no céu escuro, antes de chover...

O peito arde, a desilusão é imensa,
É fogo, e impiedosa queima,
Só quer ser livre, entregar-se ao pranto,
E poder ser fraca, apenas um ser humano...

A boca seca, o ar lhe falta,
O soluço a sufoca, preso na garganta,
A voz é rouca, soa fraca,
O grito estanca, a ninguém alcança...

A noite chega, fecha-se enfim,
O triste dia passou, chegou ao fim,
Despe-se agora, da hipocrisia que a aprisiona,
Liberta sua alma... Quer morrer... Sozinha...

      Lani (Zilani Celia)

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

OS QUATRO ELEMENTOS!

 Sou vento...  Sou ar, sou forte,
Sou da dor o par, sou consorte,
Derrubo, destruo, arranco,
Também sou leve e posso ser manso...

Sou fogo...  Sou quente, veloz,
Sou algoz, muitas vezes feroz,
Quando louco, queimo, saio de mim,
Não paro, antes de ver, de tudo, o fim...

Sou água...  Corro solta, sem tempo,        
Sou lágrima, pranteio o defunto,
Posso ser mar, misterioso, profundo,
E o rio, com o qual me confundo... 

Sou terra...  Sou fincada no mundo,
Sou chão, orgulho de um povo,
Na derradeira morada , o adágio, pomposo,
A poeira que cobre...  Na tumba... O corpo...

    Lani ( Zilani Celia)




terça-feira, 13 de setembro de 2016

DOAÇÃO!

Pediste-me amor, te dei sem dizer não,
Quiseste meus pensamentos, doei meu coração,
Sem pena, meu sorriso, lentamente tiraste,
Cada dia, eu mais entristecia e nem sequer notaste...

De meus olhos, o brilho, para ti querias,
Tentei dar-te o fulgor, das mais belas estrelas,
Pois jamais, poderia atender-te,
Seria, uma agonia viver, se não pudesse ver-te...

Pedi-te então, um pouco, do amor que te dera,
Disse-me não, que era hora de ir embora,
Não ficaria, pois nada a dar-lhe, me sobrara,
Se, de meu corpo e alma, já tudo obtivera...

Sem amor, sem pensamentos, vazia e mutilada,
Sem mais sorrisos, com a boca costurada,
Nos olhos opacos, só uma lágrima, não secara,
Que, choraria para sempre... Pois vida, me restara...


   Lani  (Zilani Celia)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

FAÇA-SE A LUZ...


 E a luz, foi feita...
Com ela, a fera não mais espreita,
Os montes clareiam, luminosidade perfeita,
A relva se estendeu, à esquerda e à direita...

E ao sopé do morro, veio o rio de água limpa,
Em seu fundo se viu, cada pequena pedrinha,
A árvore ficou mais verde, o fruto amadurecia,
A flor exalou perfume, a mata resplandecia...

O pássaro cantou mais alto, uma linda melodia,
O mar se enfeitou de peixes, o sol o aquecia,
Como pepita de ouro, brilhava mais, a areia,
E um castelo, o vento, na praia erigia...

E, quando tudo já era, uma perfeita alquimia,
Deus trouxe o homem, a vida o acolhia,
Trouxe também a mulher, a primeira criança nascia,
E, num desígnio sagrado, raiou... Um lindo, primeiro dia...

   
  Lani ( Zliani Celia)


domingo, 21 de agosto de 2016

SEM RETORNO!


  
O mesmo vento que por mim passa,
Leva-te embora e de mim te, afasta,
E só ao estares longe demais,
Saberás pelo sofrer, o que ficou para trás...

E por cada caminho que porventura fores,
Verás jardins coberto de flores,
Se novamente as colheres, apenas por prazer,
Morrerão, e uma a uma, verás fenecer...

Te deixaste levar como folha, morta,
Sem impor resistência, já nada te importa,
Mero observador da própria existência,
Vazia, marcada por de amor, a ausência...

Se caíres, frente a outra porta ao voar...
Quando esta se abrir e puderes entrar,
Cuida para que ali possas ficar,
Pois o vento que um dia te fez levitar,
Não te deixará...  Aqui... Novamente voltar...

    Lani  (Zilani Celia)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

RITO DE PASSAGEM!



Foi muita vida e dela me cansei,
A estrada dura e longa, já muito caminhei,
Muitas pedras me feriram, eu as afastei,
Nas noites mais escuras n’outras tropecei...                                         

Castigada pela chuva, aos poucos me curvei,
Mãos me escaparam, algumas, segurei,
Se pelo tempo fui vencida, nem me importei,
Pois de quimeras foi o sonho, que um dia, eu sonhei...

O vento soprou forte, cai me levantei,
Muitas lágrimas rolaram, com disfarce as sequei,
No coração muito ferido, o sangue estanquei,
Meu pranto gritei alto, só eu o escutei...

Mas, na hora derradeira, em meu rito de passagem,
Quero estar num campo verde, sentir leve aragem,
Ouvir canto de pássaros, no céu, de Deus a imagem,
E pr’a lá seguir com anjos...  Numa linda carruagem...



     Lani ( Zilani Celia)