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Recanto das letras

sexta-feira, 19 de julho de 2019

“Pelo aniversário do Tiago, dia 20 de julho, eu, teu pai, teus irmãos e sobrinhos, desejamos de coração, que Deus e a Virgem Maria abençoem teu caminho e que nele só haja amor, luz e flores”.

    


MEU MENINO GRANDE !

De coração amoroso, gigante,
Quando fomos um só, foi instante,
Aconchegado em meu colo, confiante,
Foste meu, filho querido, dali em diante...

Eu tenho a chave, posso voltar o tempo,
Guardo as imagens, gravadas, dentro do peito,
Cada lágrima derramada, cada momento,
No relicário, do meu pensamento...

Assim como a vida une, também distancia,
Mas, há algo maior a ditar, cada linha,
Escritas no livro, de nosso destino,
Que serão lidas, no final, de cada caminho...

Quando meus braços, não mais te alcançarem, criança,
Mesmo que a voz embargue, em minha garganta,
Com meu pensamento, rogarei por ti, à Virgem Maria...
Que nunca negou, o que uma mãe, por seu filho pedia...

  Lani (Zilani Celia)

terça-feira, 2 de julho de 2019

DISCREPÂNCIA!




É meu o caminho que vejo á frente,
Desviei tantas vezes, saí pela tangente,
Rodei mundo, finquei bandeiras, fui indiferente,
Mas, algo para ele me empurrava, sempre...

Não queria seguir, nem sequer era bonito,
Tantas placas em branco, nenhum nome lá escrito,
Silencioso, ermo e frio, assim eu o sentia,
Nenhuma criança brincando, na rua vazia...

Por descuido, um dia, nele adentrei,
Coincidência, discrepância da vida, não sei,
Resisti, queria voltar, era tarde demais,
O que eu vivera, não retornaria jamais...

Endireitei o corpo, minha perna tremia,
Fui me despindo, dos medos que sentia,
Algo em mim se modificava, enquanto seguia,
O caminho era lindo... Nele havia, tudo que eu queria...

        Lani (Zilani Celia)

sexta-feira, 31 de maio de 2019

UTOPIA!


 Quero que só olhes e sem tocar, me sintas,
Como o pintor, com a bela flor que pinta,
De imaginários traços, surjam, minhas curvas,
E me desnudes, ao frescor da cor da tinta...

Quero que na penumbra, cries meu retrato,
É o desafio, que nesta noite faço,
Meu perfume te será, inspiração,
Suarás frio, ao roçar, de leve minha mão...

Quero ver, ao pintares, o meu colo,
Um arrepio percorrer-te, poro a poro,
E, ao surgir na tela, meu esboço,
Em teus olhos gravado, o contorno, do meu corpo...

Quero que sucumbas, ante tua obra prima,
Que chores, ao ver-me exposta, naquela galeria,
Me deixaste ali, sem pensar, quant’eu valia,
Com o mesmo véu, que ontem me cobria,
E, a um toque teu, sem pudor, aos meus pés... Caia...

    Lani (Zilani Celia)

quinta-feira, 25 de abril de 2019

CHAMAMENTO!

Vagando sem rumo, nesta noite triste,
Ouvi alguém chamar meu nome, insistente,
Reconheci tua voz, e, por um instante,
A esperança, apossou-se de mim, novamente...

Atordoada e sem certezas, o peito apertado,
Em minha cabeça, reverberando ainda, teu chamado,
Sim, era tua a voz, que eu estava ouvindo,
Só não sabia, se era o agora, ou, o passado vindo...

Chuva forte e impiedosa, meu corpo, todo molhado,
O vento, soprando como louco, era dela, aliado,
Pessoas correndo, para todos os lados,
E eu ali, meus pés, no asfalto, colados...

Foi neste mesmo lugar, que dilaceraste meu coração,
Quem sabe voltaste!  Agarrei-me a esta ilusão,
Cerrei meus olhos, implorando, ajoelhada ao chão...
Ouvindo ao longe, a Ave Maria... No velho carrilhão...

    Lani  (Zilani Celia)

segunda-feira, 1 de abril de 2019

FOLHA SOLTA!



Emprestou-me a noite, laivos de sua loucura,
Encorajada, joguei-me nessa aventura,  
Pouco vejo, mesmo assim, saio a procura,
De mim, num turbilhão, que minha mente tortura...

Das feridas, era meu, o sangue que corria,
A dor lancinante era eu, quem a sentia,
Do peito aberto, meu coração, louco fugia,
Cansado de bater, num corpo, que se destruía...

Deixei-me arrastar, em profunda letargia,
Só, no escuro, sem perceber, que amanhecia,
Por tanto sofrer, encontrei o que queria,
Mesmo doendo, sentir, que ainda vivia...

Sou folha solta, num vendaval de árdua luta,
Sem mais elos, sem prisão e sem censura,
Cada vez que a vida, me carrega, para a rua,
Sinto o sol, o vento e... Nenhuma... Saudade tua...

         Lani (Zilani Celia)

sexta-feira, 8 de março de 2019

FILHA DO VENTO!


 Já andei, em desertos pela vida,
Sobrevivi, na imensidão e na secura,
Arrastei-me veloz, por vezes lenta,
Sufoquei muitos gritos, na garganta...

Nas noites, em que o frio, me torturava,
O corpo todo doía, encarangava,
Minh’alma, no escuro se refugiava,
Mas, me fazia seguir, quando o dia, clareava...

E assim segui, em jornadas sucessivas,
De solidão e amargura, eram meus dias,
Ao me aventurar, em alto mar, singrar em ondas,
Revivi, em águas claras e profundas...

Com escárnio, olho a terra, que me quis cativa,
Agora voo alto, sou dona da minha vida,
Atravesso oceanos, sou forte... Sou advento,
Sou irmã do sol... Sou livre... Sou filha do vento...

Lani (Zilani Celia)   






sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

VALEI-ME TEMPO!



Porque célere de mim te vais,
Não mais me ouves, nem te chegam os meus ais,
Já não me abraças, nem me acalentas mais,
Com as garras me marcaste, não se apagarão, jamais...

Tempo, contra mim conspiras, de forma cruel e injusta,
Não me dás trégua, não te importa minha luta,
Onde quer que me esconda, teimas em me encontrar,
Quanto mais choro, mais meu rosto queres sulcar...

Anoitece a vida, clareia um grande espelho,
Me obrigas a nele fitar-me, por inteiro,
Veja, por meu rosto escorrem lágrimas, de verdade,
Meu corpo curvaste mas, não me tiraste a dignidade...

Baixo o olhar, ao ver-te, por mim passar,
Sou a mesma menina, que costumava te encantar,  
Meu peito geme baixinho, pois, hoje irás me deixar,
Está doendo tanto que, de tanto doer... Vai me matar...


        Lani( Zilani Celia)