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Recanto das letras

terça-feira, 24 de março de 2020

MONSTRO MICROSCÓPICO!


Dobra os joelhos, o rei tomba, foi atingido,
Depõe as armas e sua coroa de ouro, não de espinho,
Tenta ver o inimigo, que o derrotou,
Seus olhos o traem, ou já se foi, passou...

Só, quando vê seus súditos, também caídos,
Percebe que o mal, está ali, foram por ele, atingidos,
Não vertem sangue, é chaga interna, letal,
Tem de levantar-se e lutar, vencer esse mal...

É soberano, tem tantos bens, tem muita riqueza,
Mas, a quem pagar, pr’a resgatar sua grandeza,
Se não vê o inimigo, que seu reino assola,
Impotente, levanta as mãos aos céus e chora...

Pensei que era o mais forte, o mais poderoso,
Me prostro agora, ante minha arrogância e meu povo,
Vosso perdão, por minha impotência, hoje almejo,
-Sucumbo ante um monstro... E nem sequer... O vejo...

                    Lani (Zilani Celia)

sábado, 22 de fevereiro de 2020

UM ANJO NA CHUVA!


É noite, o asfalto brilha,
Pela chuva, todo molhado,
Há pessoas a minha volta,
Mas ninguém, realmente, a meu lado...

Resignada com minha solidão,
Com o enorme vazio, de meu coração,
Sinto meu peito, por forte dor, rasgado,
E meu corpo, pela tristeza, minado...

Permaneço ali, sem saber para onde ir,
Na verdade, é de mim mesma, que quero fugir,
Meus pés gelados, estão colados ao chão,
Volto á vida, sacudida, por um forte encontrão...

As luzes do semáforo ofuscam-me, a visão,
Alguém me ampara, segura minha mão,
Só agora o vejo, esteve ali, o tempo todo,
Como um anjo, me amparando...
E meu rosto... Acariciando...

   Lani (Zilani Celia)

domingo, 26 de janeiro de 2020

O FUTURO NO ESPELHO!



É nele, que todas as dores do mundo, vejo,
Cerro os olhos, não quero ver, tenho medo,
Sua frieza me atinge e nem o toco,
Está tudo ali, cada imagem em foco...

A água do rio sumiu, sob o plástico colorido,
Sufocado sucumbe, sem um gemido,
Quem dele sobrevivia, arregala os olhos, aflito,
Triste, vendo tudo a sua volta, destruído...

As matas ardem, o verde em extinção,
O sol some, atrás de nuvens, de poluição,
Animais morrendo, famintos, andarilhos,
Uma terra ferida, herdarão, nossos filhos...

Eis o caos, que o homem moderno criou,
A natureza lhe cobrará todo o mal, que causou,
E o mais louco dos loucos é aquele que viu...
Alienado, sorriu... Virou-se e apenas, seguiu...

              Lani (Zilani Celia)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

DECEPÇÃO!



  Volte! Imploro dolorosamente,

Mas temo Te crucifiquem, novamente,
Não suportaria, Teu novo sofrer,
E entre ladrões, ver-Te novamente, morrer...

 Homens ingratos! Não conseguem entender,
Que, aqui agora, Ele nada mais, quer fazer,
Se com o livre arbítrio, nos presenteou,
- Acertar ou errar, depende de cada um, falou...

O Mar Vermelho abriu-se, num minuto,
Em obediência, rendeu-Te, merecido tributo,
Deixando, que passasse ileso, Teu povo,
Mesmo assim, quem tudo viu, traiu-Te, de novo...

Gravadas na areia, Vês ainda as marcas,
De Teus sagrados pés, quando ao povo pregavas,
As deles frágeis, nem o chão marcaram,
Choraste ao ver... Que só as Tuas... Ali restaram...
  
   Lani (Zilani Celia)



terça-feira, 15 de outubro de 2019

O PESO DO SILÊNCIO!


Como paredes estreitas, esmagas meu peito,
Em minha cabeça crias, um sonho obsceno,
De minhas mãos pedintes, arrancas o aceno,
E na boca cerrada, instilas veneno...

Como fera me caças, meu medo é atroz,
Me subjugas sem pena, sorrindo, algoz,
Preciso de um grito, de ouvir uma voz,
Que me arranque da morte, lenta, feroz...

Te enroscas, me prendes, sem fazer um ruído,
Deixar-me, muda e cega, pr’a ti faz sentido,
Me tens por vencida, coração destruído,
Numa luta inglória, apenas, um desatino...

Te enganas silêncio, estou de novo sorrindo,
Uma voz me chamou, tinha um som tão divino,
Já ouço ao longe, o cantar, de um passarinho,
E o som da água... Descendo o rio... De mansinho...

    Lani (Zilani Celia)

sábado, 7 de setembro de 2019

SINFONIA!

 Desce a noite, lenta e fria,
Na pequena vila, que o sopé do morro, escondia,
Cada porta que se fechava, uma família acolhia,
Que aconchegada, ao fogo da lareira, se aquecia...

A neve cai, como flocos de algodão,
Seu farfalhar é leve, sobre a vegetação,
A luz fraca, que escapa, de alguma janela,
Ilumina pequenos trechos, da paisagem, tão bela...

É nessa simplicidade, que a vida continua,
Como toda noite, esperam o som, que virá da rua,
Aos poucos se eleva, se espalha, suave no ar,
Em silêncio ouvem, quem faz, o violino chorar...

No íntimo sentem, que atrás, de uma daquelas portas,
Alguém pranteia, profundas saudades, mortas,
Pois, notas tão tristes, só consegue, das cordas tirar,
Quem teve um amor, que partiu... Não vai mais voltar...

      Lani (ZilaniCelia)




sábado, 17 de agosto de 2019

INQUIETUDE!



Estranhamente, distorcem-se, as imagens,
Não mais entendo o conteúdo, das mensagens,
Estão meus olhos, espontaneamente cegos,
Há um embate, entre o claro e os pontos negros...

O sol está mais forte, e ora queima como fogo,
Sem ter limites, sem dar à brisa, arrego,
Arranca a pele, expõe o osso,
Finge chorar, sabe que tem, da noite endosso...

A pedra joga-se, do cume, de um morro alto,
Balança louca, ao sabor do forte vento,
Despenca inteira, no íntimo sabendo,
Espatifar-se junto, ao que a estiver detendo...

Inquieta e tensa, o suor me cobre o rosto,
Minha cabeça gira, no coração, mais um desgosto,
Fica impossível, manter no peito a calma,
Se, a sombra encobre a luz, a dor... Dói mais... Na alma...


         Lani (Zilani Celia)