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Recanto das letras

quinta-feira, 11 de junho de 2020

ADVENTO DA LUA!


Brilhante surge, prateando a estrada,
Sente-se pela noite, ameaçada,
Percebe o homem, em suspeita, caminhada,
Que com passo firme, sulca a terra molhada...

O segue ciente, que seu tempo já se esgota,
Que todos a vejam, nem se importa,
Pela vidraça quebrada, espia indiscreta,
Esgueira-se pelo vão, da porta entreaberta...

Sorri à visão, dos amantes na cama,
Com eles deita, com a energia se inflama,
Aspira o odor, que dos corpos emana,
Seca-lhes o suor, em silêncio, profana...

A lua exaltada, compartilha o momento,
Na boca, sente o gosto do amor, advento,
Abre a janela, do invadido aposento,
E sai como entrou... Sem nenhum, constrangimento...

        Lani (Zilani Celia)

quarta-feira, 29 de abril de 2020

QUARENTENA ( III )!


Destranco a porta, relutante a empurro,
Ponho os pés na calçada, num pulo,
É noite, recebo a brisa em cheio, no rosto.
Respiro fundo, saboreando, seu cheiro e gosto...

Encantada e livre sigo andando,
O lago está limpo, não o estou reconhecendo,
Os bancos da praça, agora, são todos brancos,
Há flores, há frutos, lindos patinhos e gansos...

Continuo, subindo a rua onde moro,
Alguém se aproxima, vestido de branco,
Tem no peito um crachá, uma máscara no rosto,
Rápido some na porta, do hospital ali perto...

Penso, só quero ir e vir, tenho esse direito,
Estou tão feliz, curtindo o momento,
Vejo um homem no chão, deitado ao relento,
Ao seu lado uma placa, ”fique em casa”, dizendo...

Ainda no escuro, de meu sonho, fui acordando,
Sentindo, a energia do mundo, se refazendo,
Sei, que o monstro lá fora, vai acabar morrendo,
Me abraço tranquila, novamente... Adormecendo...
        

 Lani (Zilani Celia)

sábado, 4 de abril de 2020

QUARENTENA! (II)


Pela janela, espreito a rua deserta,
É minha triste moldura, mesmo aberta,
Há vida e sol, correndo lá fora,
Estou aqui presa, sem tempo ou hora...

Em minhas mãos, aperto a chave, da porta,
Basta-me um passo, para transpô-la,
Meu espírito, livre me incita,
-Venha, vamos embora, acredita...

-Não há para onde ir, eu retruco,
Há um inimigo lá fora, oculto,
Sem pena, põe o mundo, moribundo,
Traiçoeiro nem diz, de onde, é oriundo...

Fecho lentamente, minha cortina,
Uma lágrima surge, fugaz, repentina,
Na mente a imagem, da minha menina,
Sinto-me frágil, só, pequenina...

O telefone toca, nele ouço a voz, tão amada,
É minha filha, por um vírus, de mim afastada,
Do outro lado da linha, como eu, ela  chora,
E meu abraço carente... O dela implora...


        LANI (Zilani Celia)



terça-feira, 24 de março de 2020

MONSTRO MICROSCÓPICO!


Dobra os joelhos, o rei tomba, foi atingido,
Depõe as armas e sua coroa de ouro, não de espinho,
Tenta ver o inimigo, que o derrotou,
Seus olhos o traem, ou já se foi, passou...

Só, quando vê seus súditos, também caídos,
Percebe que o mal, está ali, foram por ele, atingidos,
Não vertem sangue, é chaga interna, letal,
Tem de levantar-se e lutar, vencer esse mal...

É soberano, tem tantos bens, tem muita riqueza,
Mas, a quem pagar, pr’a resgatar sua grandeza,
Se não vê o inimigo, que seu reino assola,
Impotente, levanta as mãos aos céus e chora...

Pensei que era o mais forte, o mais poderoso,
Me prostro agora, ante minha arrogância e meu povo,
Vosso perdão, por minha impotência, hoje almejo,
-Sucumbo ante um monstro... E nem sequer... O vejo...

                    Lani (Zilani Celia)

sábado, 22 de fevereiro de 2020

UM ANJO NA CHUVA!


É noite, o asfalto brilha,
Pela chuva, todo molhado,
Há pessoas a minha volta,
Mas ninguém, realmente, a meu lado...

Resignada com minha solidão,
Com o enorme vazio, de meu coração,
Sinto meu peito, por forte dor, rasgado,
E meu corpo, pela tristeza, minado...

Permaneço ali, sem saber para onde ir,
Na verdade, é de mim mesma, que quero fugir,
Meus pés gelados, estão colados ao chão,
Volto á vida, sacudida, por um forte encontrão...

As luzes do semáforo ofuscam-me, a visão,
Alguém me ampara, segura minha mão,
Só agora o vejo, esteve ali, o tempo todo,
Como um anjo, me amparando...
E meu rosto... Acariciando...

   Lani (Zilani Celia)

domingo, 26 de janeiro de 2020

O FUTURO NO ESPELHO!



É nele, que todas as dores do mundo, vejo,
Cerro os olhos, não quero ver, tenho medo,
Sua frieza me atinge e nem o toco,
Está tudo ali, cada imagem em foco...

A água do rio sumiu, sob o plástico colorido,
Sufocado sucumbe, sem um gemido,
Quem dele sobrevivia, arregala os olhos, aflito,
Triste, vendo tudo a sua volta, destruído...

As matas ardem, o verde em extinção,
O sol some, atrás de nuvens, de poluição,
Animais morrendo, famintos, andarilhos,
Uma terra ferida, herdarão, nossos filhos...

Eis o caos, que o homem moderno criou,
A natureza lhe cobrará todo o mal, que causou,
E o mais louco dos loucos é aquele que viu...
Alienado, sorriu... Virou-se e apenas, seguiu...

              Lani (Zilani Celia)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

DECEPÇÃO!



  Volte! Imploro dolorosamente,

Mas temo Te crucifiquem, novamente,
Não suportaria, Teu novo sofrer,
E entre ladrões, ver-Te novamente, morrer...

 Homens ingratos! Não conseguem entender,
Que, aqui agora, Ele nada mais, quer fazer,
Se com o livre arbítrio, nos presenteou,
- Acertar ou errar, depende de cada um, falou...

O Mar Vermelho abriu-se, num minuto,
Em obediência, rendeu-Te, merecido tributo,
Deixando, que passasse ileso, Teu povo,
Mesmo assim, quem tudo viu, traiu-Te, de novo...

Gravadas na areia, Vês ainda as marcas,
De Teus sagrados pés, quando ao povo pregavas,
As deles frágeis, nem o chão marcaram,
Choraste ao ver... Que só as Tuas... Ali restaram...
  
   Lani (Zilani Celia)