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Recanto das letras

domingo, 15 de julho de 2018

A MENINA DA SÍRIA!

 Quem vê esta criança, não acredita,
Sorria, até brilho nos olhos, ela tinha,
Percebo, através de sua transparência,
Nada existe, nada mais tem, peço clemência...

Tão pequena, na certa nem entende,
Pois, até ontem, havia fadas em sua mente,
E o som mais alto, era a voz amada, que ouvia,
Do pai, a chamá-la a casa, á tardinha...

Havia lindas flores, em seu jardim,
O cãozinho com quem brincava, calou-se, enfim,
O irmão, mais parecia, um anjo Serafim,
Tudo sumiu, acabou, o silêncio pesa, é ruim...

Sai pr’a rua, ninguém segurará, sua mão,
Sobre os escombros, treme de aflição,
Aperta o ursinho sujo, junto ao coração...
E, como a mãe o fazia, canta baixinho, uma canção...

Bombas explodem, fazem o céu azul, escurecer,
Continua ali, não sabe pr’a onde correr,
Pobre menina, acaba, de aprender...
A dureza da guerra e também... O que é... Morrer...

       Lani ( Zilani Celia)


terça-feira, 26 de junho de 2018

ALUCINAÇÃO!

  
Mais uma noite fria e a cena se repetia,
O xale nos ombros, no rosto, agonia,
Acreditando, que hoje, enfim fugiria,
Desta vida, que não mais queria...

Os neons, o asfalto, iluminavam,
Seus pés trôpegos, neles pisavam,
A chuva que corria, as sarjetas, inundava,
E ela, mesmo assim, sozinha continuava...

Ia até o cais, de onde ele partira,
Foi lá, que pela última vez, o vira,
Num navio, que em sua mente, soçobrava,
E sumia, toda vez, que dali se aproximava...

Sentia o furor do vento, que sua pele feria,
A cabeça rodopiava, sua fonte doía,
O mar agitado, nas pedras, furioso batia,
Ela o chamava, volte! Lhe pedia...

A beira do abismo, no escuro, se equilibrava,
Ouviu a voz dele, que de longe gritava,
-Não dê mais, nenhum, passo á frente...
-Vire-se e vá embora... Daqui, para sempre...

    Lani (Zilani Celia)


quinta-feira, 7 de junho de 2018

CERROU-SE A PORTA!

 
 Do outro lado, havia sonhos,
Felizes, muitos de amor, outros tristonhos,
Fechei-me em concha, sem coragem, de vivê-los,
Deixei assim, que se tornassem, meus pesadelos...

Hoje, os vejo ali inertes, empoeirados,
Reminiscências de tempos idos, ultrapassados,
Num relicário, no coração, sempre guardados,
Da menina que sonhou, mas, não ousou realizá-los...

Nada mais valem, são agora devaneios,
Uma singela história, pueris anseios,
Não choro mais, posso agora, até revê-los,
Cerrou-se a porta mas, me nego a esquecê-los...

A cada um, peço perdão, com um afago,
Os anulei e condenei, mesmo assim, ainda os guardo,
Mutilados, como sem as asas, um passarinho,
Neguei-lhes o direito, de voarem, ao próprio ninho...
  
           Lani(Zilani Celia)

quinta-feira, 17 de maio de 2018

SONS DO PASSADO!

 São fortes ecos, nos perseguindo,
Hora fracos, como um zunido,
Um forte trovão, que fere o ouvido,
Uma música triste, ou um sentido gemido...

Quando mansos, nos acalentam o coração,
Dando-nos certeza, de que nada foi em vão,
Chegam-nos a alma, como oração,
Ou como o abraço, de um amigo, ou irmão...

Ecos, o silêncio da noite, rasgando,
Entre as ruas da cidade, se perdendo,
O medo real, na mente se formando,
Alguém, ao longe, chamando...

Podem ser vozes, do passado nos chegando,
Um pedido ou, um sentido pranto,
Doridos, tal armas, nos apunhalando,
Ferindo-nos, voltando... Ecoando... Ecoando...

  Lani ( Zilani Celia)




terça-feira, 8 de maio de 2018

MÃE!


   
                  Para as mamães que aqui estiverem meu abraço
e desejos de que sejam todas abençoadas e que só
alegrias se façam presentes, neste dia e em todos os outros
de suas vidas.

        MÃE!

Podes ser pequena, mas tua importância é gigante,
Protagonista de vidas, de aura cintilante,
Coração lapidado, do mais puro, diamante,
Te fazes presente, mesmo que, numa estrela, distante...

Há pouco a dizer, se tudo, sobre ti já foi dito,
Encerras no peito, o amor maior, mais bonito,
Doas-te até a exaustão, tendo no rosto um sorriso,
És de Maria criação, teu lugar, é no paraíso...

Sim, sou mãe, sou uma delas,
Mas, é na minha que penso, quando falo nelas,
Tenho cravado no peito, o espinho da dor, da saudade,
Sinto falta de ti e assim será, por toda a eternidade...

E, enquanto durar, minha jornada terrena,
Lembrarei teu carinho, amorosa, serena,
Deixaste no céu, uma estrela, brilhando,
Que me guia, quando em sonhos... Saio, te procurando...


          Lani(Zilani Celia)

terça-feira, 10 de abril de 2018

A MELHOR IDADE!



Viveu a vida, a cantar e a dançar,
Queria ser feliz, o mundo abraçar,
Com a juventude, fez a melhor parceria,
Nada a preocupava, era feliz, assim o dizia...

Dona da verdade, desd’a mais tenra idade,
Pensava ser, a melhor, por superioridade,
Nenhum lugar a prendia, sonhada liberdade,
Fazia o que queria, era só, impetuosidade...

Com o passar do tempo, veio a maturidade,
A pele ficou sem viço, sem elasticidade,
O corpo perdeu as formas, no avançar da idade,
O tempo se instalou, ela olhou-se, com incredulidade...

A realidade cobrou, enquanto a alma crescia,
O pensamento agitado, acalmou, parecendo magia,
A natureza ficou mais bela, da noite pr’o dia,
E a jovem, que já foi inquieta... Hoje faz poesia...

   Lani ( Zilani Celia)

domingo, 11 de março de 2018

O ÚLTIMO VOO!



Voei como se fosse um passarinho,
Percorri distâncias nas linhas do meu sonho,
Repousei tristezas, no silêncio do espaço,
Busquei forças, no vazio do meu cansaço...

Falei ao vento, - De tristeza estou morrendo,
Te peço, venta pouco, em meu momento,
Não faça de meu corpo, um simples fragmento,
Nem de minh’alma, da dor, o instrumento...

Me leve ao ninho, na hora programada,
Será pr’a mim, a última morada,
Poderei contar-te, minha triste história,
De cansadas asas e de muita luta inglória...

Quero que a lua, me sirva de mortalha,
Que um raio, corte o céu, como navalha,
E cada estrela, ao ser por ele, dividida,
Ilumine, o voo... Desta ave, em despedida...

   Lani (Zilani Celia)