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Recanto das letras

domingo, 21 de agosto de 2016

SEM RETORNO!


  
O mesmo vento que por mim passa,
Leva-te embora e de mim te, afasta,
E só ao estares longe demais,
Saberás pelo sofrer, o que ficou para trás...

E por cada caminho que porventura fores,
Verás jardins coberto de flores,
Se novamente as colheres, apenas por prazer,
Morrerão, e uma a uma, verás fenecer...

Te deixaste levar como folha, morta,
Sem impor resistência, já nada te importa,
Mero observador da própria existência,
Vazia, marcada por de amor, a ausência...

Se caíres, frente a outra porta ao voar...
Quando esta se abrir e puderes entrar,
Cuida para que ali possas ficar,
Pois o vento que um dia te fez levitar,
Não te deixará...  Aqui... Novamente voltar...

    Lani  (Zilani Celia)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

RITO DE PASSAGEM!



Foi muita vida e dela me cansei,
A estrada dura e longa, já muito caminhei,
Muitas pedras me feriram, eu as afastei,
Nas noites mais escuras n’outras tropecei...                                         

Castigada pela chuva, aos poucos me curvei,
Mãos me escaparam, algumas, segurei,
Se pelo tempo fui vencida, nem me importei,
Pois de quimeras foi o sonho, que um dia, eu sonhei...

O vento soprou forte, cai me levantei,
Muitas lágrimas rolaram, com disfarce as sequei,
No coração muito ferido, o sangue estanquei,
Meu pranto gritei alto, só eu o escutei...

Mas, na hora derradeira, em meu rito de passagem,
Quero estar num campo verde, sentir leve aragem,
Ouvir canto de pássaros, no céu, de Deus a imagem,
E pr’a lá seguir com anjos...  Numa linda carruagem...



     Lani ( Zilani Celia)

sexta-feira, 22 de julho de 2016

SILÊNCIO VELADO!


Calou-se novamente, nada diz,
Ao perguntares se contigo, ela é feliz,
Calou-se, não pode responder,
Calou-se...  Mais uma vez...

Como dizer a ele, que tudo acabou,
Se nem sabe, o que nela mudou,
O coração, aos poucos paralisou,
Calou-se... Novamente, se acovardou...

E assim tem sido, tenta fugir,
Em silêncio grita, sem reagir,
Se já não há amor, para que ficar,
Mas, calou-se... Deixou-se, acorrentar...

E, quando a noite vem e a abraças,
Seu corpo não corresponde, triste te afastas,
Finges não perceber, as lágrimas rolam,
A dor os devora... Mas... Ambos se, calam...



     Lani (Zilani Celia)

sábado, 9 de julho de 2016

DE MINHA VIDA ÉS PEREGRINO!


És doce perfume, no frasco de teu corpo,
O ar saudável, que tonta respiro,
O sol que me aquece o rosto,
És água pura, de minh’alma o batismo...

És a noite enluarada, em minha companhia,
A estrela que espia e cúmplice, suspira,
A cortina que se afasta, deixando o vento entrar,
És a luz que se apaga, ao meu corpo acariciar...

És a música suave, que aguça meus sentidos,
Fugindo pelas frestas, em loucos desatinos,
Deixando em meus ouvidos, um resto de canção,
És o som das batidas, de meu triste, coração...

És a chama tênue da vela que tremula,
A estrada curva, que por mim passa e continua,
Meu sonho, que gravita paralelo, a teu destino,
És de minha vida... Apenas peregrino...


      Lani (Zilani Celia)

sábado, 25 de junho de 2016

NOSSA INDIFERENÇA!


A noite cai, o frio se instala,
O céu escurece, nenhuma estrela,
Na rua, pelo nevoeiro encoberta,
Uma figura, solitária espreita...

A fome o consome, é insana a agonia,
Queria, uma mão amiga, uma cama macia,
Uma sopa quente, suas entranhas aqueceria,
Uma manta seria, para ele, doação de Maria...

Contrai os olhos, vê um lume, no escuro,
Como fera acuada, temendo o perigo,
Sabe que o golpe é sempre, inesperado,
E a vítima, só mais, uma pedra no asfalto...

O vento sopra forte, lhe açoita o corpo,
Sente-se endurecer, de frio, e de desgosto,
Com seu único amigo, se enrola num canto,
E aperta o cãozinho, de encontro ao peito...

Sua mente embotada se entrega ao sono,
Encosta a cabeça, no colo de um anjo,
Que com voz tão suave, lhe diz ao ouvido,
-Não sofrerás mais, amigo... Enfim... Estás morto...


      Lani ( Zilani Celia)

domingo, 12 de junho de 2016

UM NOVO DIA!



Na noite insone, pesa-me o escuro do quarto,
Dispo-me de ti, olho-me no espelho, quebrado,
As paredes se fecham, vindo ao meu encontro,
Apertam-me como garras, meu peito dilacerando...                          

Rolo na cama e esta, como em chamas,
Queima-me o corpo e as entranhas,
De tristeza choro, por tua indiferença,
Não me ouves, mergulho, em minha descrença...

Entreguei-te, o que de melhor havia em mim,
Se para ti, foi pouco ou nada, enfim,
Buscarei na dor a resignação,
E no tempo, consolar-me com a solidão...

O dia amanhece, restam-me profundas olheiras,
Caminhei toda a noite, rompi fronteiras,
No cansaço da busca, me libertei,
O dia chegou... Sequei as lágrimas e... Levantei...


   Lani  (Zilani Celia)

segunda-feira, 30 de maio de 2016

DELÍRIOS!


 Tua figura em meu devaneio, vejo,
Na chuva, entre um clarão e outro,
Na noite fria, minh’alma sente,
Teus olhos nos meus e uma tristeza de morte...

Tua roupa molhada, colada ao corpo,
A desolação, estampada no rosto,
Na rua, a mala abandonada,
Um ramo de flores, jogado na calçada...

Desembaço o vidro, que me tolhe a visão,
A tristeza me consome, bate-me forte o coração,
Não saio do lugar, estou colada ao chão,
A porta se abre, o vento me toca, volto á razão...

E, no momento em que te perco do foco,
De meu peito escapa, um sentido soluço,
Não estás ali, é só mais um delírio, doído e louco,
De minhas noites...  Na janela debruçada... Sem sono...

      Lani ( Zilani Celia)