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Recanto das letras

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

EVOLUÇÃO!


São ciclos, nossos viveres,                                      imagem da net
Elos, temos com outros seres,
As vezes, sobram, prazeres,
Fazem parte, nossos sofreres...

A amizade, passa a ser, mais sincera,
Sem pressa, entabulamos uma conversa,
Mais sábios, nossos anseios,
Vão cessando, antigos receios...

Sentimentos, maduros e mais profundos,
Argumentos, do coração, oriundos,
Abraços não dados, ficamos devendo,
A vida aos poucos, vai, nos detendo...

Ficamos sós, solidão já não doendo,
Sentimos partes de nós, se refazendo,
O espírito evoluído, a Deus vai bendizendo,
E baixinho, sobre amor... Vai, nos dizendo...

     Lani (Zilani Celia)

sábado, 13 de outubro de 2018

DELÍRIO!



Sinto-te, como força, da natureza,
Se, falso ou real, não tenho certeza,
És a aragem, que me arrepia e passa,
E em sonhos, por um momento, me abraça...

A noite cai e sem pena, espalha seu frio,
Penso ver-te, na água gelada, do rio,
Titubeante, tento tocar, em teu rosto,
Mas, com as mãos, mais a superfície revolvo...

Não estás aqui, enfim me convenço,
Chorando, sozinha e triste, adormeço,
Uma furtiva e desavisada lágrima, caiu,
Apagando tua imagem, que no fundo sumiu...

E, no transe da dor e da debilidade,
Balbucio: Te amarei, até a eternidade...
Perdida, sem mais abrir, o véu, da realidade,
Escondo-me na penumbra... E sinto, mais saudade...


      Lani (Zilani Celia)

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

CAMINHOS PARALELOS!

  
Quando o céu escurece e a noite vem, 
Ouço ao longe, o apito do trem,
Arrancando lembranças, de minha mente,
E lágrimas, de meu olhar triste, ausente...

Quando se aproxima, meu corpo estremece,
O frio d’alma aumenta, quando entardece,
Choro, aquele amor, que nunca se esquece,
Pois na vida, só uma vez, igual, acontece...

E, toda vez que corro, para vê-lo passar,
Penso, que desta vez, vou nele embarcar,
Minha bagagem, é só o amor, que tentei te ofertar,
E tua imagem, que meu tolo coração, quer guardar...

Novamente, ficarei na estação, quando ele partir,
Sentada n’um banco, com meu olhar o seguir,
E como trilhos, paralelos, que jamais se encontrarão...
Somos nós dois e minha espera, sei... É em vão...

    Lani (Zilani Celia)





domingo, 26 de agosto de 2018

UMA MÃE QUALQUER!

                                                                                   imagem da net 
  

Quem és tu, velha senhora,
Que fazes da calçada, tua casa, agora,
Não tens porta para abrir, não tens conforto,
Mas, há sempre um sorriso, em teu sulcado rosto...

De onde tanta força? Se és, só fragilidade,
Cabelos brancos, gestos lentos, sem agilidade,
O caos a tua volta, não te tira a dignidade,
Nada pedes, só esperas, por um gesto de bondade...

Pela manhã, teu desjejum é o vento,
Teu almoço, o descaso, o desalento,
Teu jantar, a chuva e o relento,
E tua cama, a dureza do esquecimento...

Quando a noite cai e surge a primeira estrela,
Há lágrimas em teus olhos, soa o sino da capela,
Relembras a vida, que um dia, te fez plena,
E o toque macio, de uma mãozinha, pequena...

Hoje enfim, irás ter, com a Mãe Maria,
Envolta no trapo velho, que no frio, te cobria,
Abandonarás o corpo, que na laje enrijecia...
Pedirás perdão, para quem, ignorava tua agonia,
Passava, te olhava... Mas, nem sequer... Te via...
   


 Lani (Zilani Celia)

sábado, 11 de agosto de 2018

MEU PAI!


      Minha homenagem aos "papais" neste dia que é só deles. Um grande beijo a meu marido,
Luiz Rossatto, ao meu filho Alessandro Salazar Rossatto ( pai de meu neto Pedro), ao meu filho mais novo Tiago Salazar Rossatto, (que em breve será papai) e ao meu genro Ricardo Lewis ( pai de meus netinhos Leonardo e Benjamin).
     Aos amigos que por aqui passarem, sintam-se abraçados e recebam meus parabéns pelo merecido dia


      Hoje, recordando minha vida com ele, senti um grande vazio e muita saudade.
      Pela manhã, quando eu acordava na mesa ele já estava, com um  copo de leite quente, um sorriso grande, que aquecia o coração da gente. Um amigo com quem se podia contar e eu sabia que este gigante, não era de histórias em quadrinhos, era real e era o meu pai.
      Enquanto o tempo passava, ele se apequenava, nem parei pr’a pensar que, enquanto eu crescia, ele envelhecia, não podia mais me acompanhar.
      Lembrei que quando criança, tuas história eu pedia e agora, ao contares uma, antes de a acabares já estou a me levantar, me dou conta, volto, mas, vejo em teus olhos tristes que percebeste, mesmo assim, me olhas e sorris, sem nada reclamar.
      Pensei nos raros beijos que te dei, os abraços foram poucos também, mas, chorar agora não adianta, não dá mais pr’a me desculpar, aqui tu não mais estás, o que fiz já está feito, o que não fiz é impossível recuperar.
      Debati-me nesta noite, agitada, na madrugada acordei, notei um vulto e assustada me levantei, era meu pai que ali estava e com carinho me falava: “Filha, te ouvi chorar mas, para não te acordar, meu retrato em tua cama coloquei, assim verias que como sempre, teu sono eu velei”.
      Então, emocionada percebi, que com seu retrato eu estava abraçada, que bom, foi tudo um sonho e assim como o fazia em criança, fechei meus olhos, lhe dei um beijo e em seu colo me aconcheguei...

                               Lani (Zilani Celia)

domingo, 15 de julho de 2018

A MENINA DA SÍRIA!

 Quem vê esta criança, não acredita,
Sorria, até brilho nos olhos, ela tinha,
Percebo, através de sua transparência,
Nada existe, nada mais tem, peço clemência...

Tão pequena, na certa nem entende,
Pois, até ontem, havia fadas em sua mente,
E o som mais alto, era a voz amada, que ouvia,
Do pai, a chamá-la a casa, á tardinha...

Havia lindas flores, em seu jardim,
O cãozinho com quem brincava, calou-se, enfim,
O irmão, mais parecia, um anjo Serafim,
Tudo sumiu, acabou, o silêncio pesa, é ruim...

Sai pr’a rua, ninguém segurará, sua mão,
Sobre os escombros, treme de aflição,
Aperta o ursinho sujo, junto ao coração...
E, como a mãe o fazia, canta baixinho, uma canção...

Bombas explodem, fazem o céu azul, escurecer,
Continua ali, não sabe pr’a onde correr,
Pobre menina, acaba, de aprender...
A dureza da guerra e também... O que é... Morrer...

       Lani ( Zilani Celia)


terça-feira, 26 de junho de 2018

ALUCINAÇÃO!

  
Mais uma noite fria e a cena se repetia,
O xale nos ombros, no rosto, agonia,
Acreditando, que hoje, enfim fugiria,
Desta vida, que não mais queria...

Os neons, o asfalto, iluminavam,
Seus pés trôpegos, neles pisavam,
A chuva que corria, as sarjetas, inundava,
E ela, mesmo assim, sozinha continuava...

Ia até o cais, de onde ele partira,
Foi lá, que pela última vez, o vira,
Num navio, que em sua mente, soçobrava,
E sumia, toda vez, que dali se aproximava...

Sentia o furor do vento, que sua pele feria,
A cabeça rodopiava, sua fonte doía,
O mar agitado, nas pedras, furioso batia,
Ela o chamava, volte! Lhe pedia...

A beira do abismo, no escuro, se equilibrava,
Ouviu a voz dele, que de longe gritava,
-Não dê mais, nenhum, passo á frente...
-Vire-se e vá embora... Daqui, para sempre...

    Lani (Zilani Celia)