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Recanto das letras

terça-feira, 16 de julho de 2013

RESILIÊNCIA...


Pela espessa densidade do tempo,
Não transponho a linha tênue que nos separa,
Dou um passo em tua direção e algo me para,
É a parede invisível do desencanto...

E assim, permaneço estática e cega,
Minhas forças já inúteis se esvaem de mim,
De nada valeu, da alma a pura entrega,
Se agora podes ver meu triste fim...

E enquanto a noite escura, de tudo toma conta,
Meu corpo ainda frio, lentamente se levanta,
Veste o manto pesado da solidão,
E sai, procurando apenas, um apoio ou uma mão...

Uma fina garoa aos poucos me desperta,
Gemendo, te arranco do peito a chaga é aberta,
Pelas mãos molhadas escorrem os restos teus,
Meu coração liberto... Enfim te diz...  Adeus...

      Lani

terça-feira, 9 de julho de 2013

LIBERTAÇÃO...


 E neste caminho, intenso, extenso,
Piso em falso me machuco, me arrebento,
Continuo em frente, quase correndo,
Só pode parar-me, se for contra, o vento...

Em todas as vezes que parei e me entreguei,
Um gosto amargo na boca provei,
Com a covardia fiz escudo, mas, agora sei,
Que mesmo perdendo, pela luta, ganhei...

Hoje, cada batalha que travo é p’ra vencer,
Não posso mais ter medo do mundo, correr,
Se puser o coração, não irei perder,
E poderei agradecer à vida em cada amanhecer...

Para que ao entardecer a brisa esteja morna,
Que tenha para escrever uma bela e rica história,
Que ao meu redor se instale a alegria,
E, que na hora da partida, eu seja conduzida...
Por um anjo e uma brilhante estrela guia...

       Lani

terça-feira, 2 de julho de 2013

SEGUNDO ANO DE CAMINHADA...


     Para meus amigos blogueiros, deixo aqui meus agradecimentos, pela caminhada que até aqui trilhamos juntos e que queira Deus seja longa e como até agora, coroada de muito carinho e respeito.
     No início um blog é um desafio, começamos sem grandes pretensões e à medida que vamos conquistando seguidores, estes vão se tornando amigos, vai aumentando sua importância em nossas vidas, até que começam a ser parte indispensável dela.
     Cada post que deixamos, fica um pouquinho do que realmente somos e assim vamos nos desnudando e nossa essência é captada, pois sem a presença física, a empatia que ocorre é a da alma, daí a importância das amizades que virtualmente fazemos.
     Que na vida de cada um de vocês, meus amigos, o “SÓ PRA DIZER”, possa ser um elo desta grande e maravilhosa corrente, que formamos, levando dia após dia, ano após ano, um pouco do que sou, e me trazendo em forma de palavras um pedacinho de vocês.
      “Palavras, são ditas pela boca, escritas pela mão, mas, formadas pelo coração”...


                    Lani

segunda-feira, 24 de junho de 2013

PÁTRIA AMADA... BRASIL...




O gigante não dormia em berço esplêndido,
Protestava de costas, sentia-se desanimado,
Vendo o desleixo dos filhos descuidados,
Imóveis, inertes, frente aos sonhos desacreditados...

Mas o pai, que observava preocupado, sentiu,
Que algo errado estava e triste se perguntava,
Se todos são meus filhos, a quem esse saiu,
Não respeita o irmão e nem sequer a “Pátria amada”?...

Ao levantar-se o gigante, o mundo emocionou,
Foi para a rua e com flores nas mãos o hino cantou,
Marchou, ajoelhou-se quando precisou,
Por educação, saúde, contra a Pec. 37... Gritou...

Foi rechaçado, pelo irmão que estava armado e fardado,
Mas não parou, ou pensariam que ele estava errado,
E assim, empunhando a bandeira, verde, amarela e anil,
É guerreiro, lutando pelos direitos, do amado pai... BRASIL...


          Lani

terça-feira, 18 de junho de 2013

JANELA DO PASSADO...




  Tarde fria, cai a chuva lentamente,
 Descerro a cortina do pensamento, suavemente,
 Olho pela janela e vejo no vidro se formarem figuras,
 De bailarinas, que dançam, envoltas em brumas...

 Meu coração triste, confrangido se encolhe,
 Com os punhos cerrados, bate forte em meu peito,
 Corre para um canto, acabrunhado se esconde,
 Não quer mais sofrer, diz ter este direito...

 Meus olhos permanecem cerrados, choram,
 Tento abri-los não querem ver, se negam,
 Minhas pernas continuam paralisadas,
 Não se afastam, estão às lembranças algemadas...

 Mas minh’alma, ah, esta inconsequente, traiçoeira,
 Salta na chuva e vai, em busca da imagem derradeira,
 E através da vidraça, por meu choro, embaçada,
 Mostra-nos, felizes... Abraçados... Na calçada molhada...

         Lani

terça-feira, 11 de junho de 2013

CORRENTE IMAGINÁRIA...




A corrente que nos prende...
Foi forjada a ferro, em brasas, latentes,
Enlaçando elo por elo, consequentemente,
Prendendo-nos, neste amor sem precedentes...

A corrente que nos prende...
A chave, a jogamos fora, para sempre,
Presos um ao outro, em tempo, fremente,
Para deixamos o amor fluir, eternamente...

A corrente que nos prende...
Só é visível a quem ama verdadeiramente,
Une almas e corpos desenfreadamente,
Num encaixe perfeito, ardentemente...

A corrente que nos prende...
Em nossa cama, solta-se, milagrosamente,
Nos entregamos ao amor, livremente,
Ah! A corrente, invisível... Que nos prende...

terça-feira, 4 de junho de 2013

O ARQUEIRO DA VIDA...


 Segurou o arco, com todas as suas forças e o retesou,
Sentiu a vibração da corda entregue, que se esticou,
Lançou a flecha, num rápido e certeiro movimento,
Ela subiu, vertiginosamente, rumo ao firmamento...

Ele maravilhado, de seu feito, perfeito, se vangloriava,
A flecha sumiu no horizonte da vida, ovacionada,
Para logo depois iniciar a caída, vertiginosa,
Ela descia e ele agora maduro, se preocupava ...

Quando a lançou, não pensou em sua célere volta,
Queria ser o guerreiro, que ganhara da vida, a aposta,
Garboso se orgulhava de sua grande façanha,
Vencedor, olhando o mundo de sobre uma montanha...

Quando viu a flecha, com suas cores, pois a lançou,
Manchada, do sangue da pequena vítima que alcançou,
Pela primeira vez triste, sua vitória não cantou,
O arqueiro se prostrou e desta vez... Sentido chorou...

     Lani