Pela espessa densidade do tempo,
Não transponho a linha tênue que nos separa,
Dou um passo em tua direção e algo me
para,
É a parede invisível do desencanto...
E assim, permaneço estática e cega,
Minhas forças já inúteis se esvaem de
mim,
De nada valeu, da alma a pura entrega,
Se agora podes ver meu triste fim...
E enquanto a noite escura, de tudo toma
conta,
Meu corpo ainda frio, lentamente se
levanta,
Veste o manto pesado da solidão,
E sai, procurando apenas, um apoio ou uma
mão...
Uma fina garoa aos poucos me desperta,
Gemendo, te arranco do peito a chaga é
aberta,
Pelas mãos molhadas escorrem os restos
teus,
Meu coração liberto... Enfim te
diz... Adeus...
Lani
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