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Recanto das letras

segunda-feira, 15 de abril de 2013

SONS DA VIDA...


 
De onde vem a luz que me aquece e banha,
Vem também o som, que ouço e que me encanta,
O som é da voz alegre de uma criança,
E a luz, é da lua que passa e com carinho me abraça...

De onde vem o perfume que me envolve e inebria,
Vem também o calor, que me aquece e acaricia,
O perfume é da flor que desabrochou,
E o calor é do sol que na manhã despontou...

De onde vem o rugido que soa alto e me amedronta,
Vem também o cheiro forte, que me deixa tonta,
O rugido é da fera, que passa ao largo, solta,
E o cheiro é do mato, orvalhado pela brisa fresca...

De onde vem o brilho que ilumina a noite fria,
Vem também o rufar de tambores em plena euforia,
O brilho é das estrelas a procura dos amantes,
E o som é o canto dos anjos, aplaudindo ao amor... Triunfantes...

        Lani

segunda-feira, 8 de abril de 2013

DESILUSÃO...





Espalhei flores em tua caminhada da vida,
As cultivei, para perfumar teu caminho,
Me mantive um passo atrás, camuflada,
Sem pensar em mim, só em fazer feliz, teu destino...

Em noites vazias, velei por teu sono,
Em outras chorei, não estavas comigo,
Abusei de perfumes, beijos, encantos,
Usufruíste, como dono, por breves momentos...

Meu coração te entreguei, sem reservas,
Meu corpo te doei, sem restrição,
Minh´alma, em submissas entregas,
Esvaiu-se e ainda te pede perdão...

Perdão, por não teres me amado,
Por não ter sido dona do teu coração,
Por entregar-te minha vida, amor e carinho,
E recebido em troca, somente... Desilusão...

        Lani

segunda-feira, 1 de abril de 2013

FILHOS DA SECA...


  
Terra retorcida, poeira que se levanta na estrada,
Em desalento segue o homem, em sua solitária caminhada,
Na casa pobre, a família espera, pela água abençoada,
Que sabem, por causa da seca, nem sempre é encontrada...

Quando vejo o gado, pelas estradas morrendo,
De sede e inanição, sob o causticante sol, definhando,
Peço um milagre ao “Pai”, já que dos homens nada espero,
Divida nossa água do sul, com estes irmãos em desespero...

Quem pensa que este povo paga, por dever algum pecado,
Tem de saber que quem está á prova, é de nós o desinteressado,
Por não lutar pelo irmão, sem água, lá do outro lado,
Que para o filho, não consegue, nem prover, o pão sagrado...         

Enquanto os rios secam, os animais sofrem,
Vagando, com sede e fome, morrem,
A chuva não vem, as plantas se consomem,
O sol arde na cabeça e no coração do pobre homem...                     

E quando, alquebrado, cansado, se recosta na rede,
Rogando a Deus para salvar seu filho, inocente,
Que na pobre cama dorme, apesar da fome,
Não chora, poupa a lágrima, mesmo que correr tente,
Pois com ela terá... De amanhã... Saciar deste filho a sede...

          Lani

terça-feira, 26 de março de 2013

PORTO ALEGRE É DEMAIS...

   EM HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO  DE PORTO ALEGRE.




Como não amar-te, minha bela e aconchegante cidade,
Cativas ao viajante, com teu verde exuberante,
Com a cuia na mão, o gaúcho o convida para um mate,
Passear no “Parcão”, num domingo de sol, á tarde...

Comovido te desejo felicidades, te parabenizo,
Abraço-te e digo de meu orgulho de ser teu filho,
Por ti, à padroeira “ Nsa. Sra. dos Navegantes”, peço,
Para que te abençoe, em mais este aniversário...

Percorrendo as margens do Rio Guaíba, encantado,
Que beija teus pés, como amante apaixonado,
Estendendo-se, como manto, caudaloso lago,
Submisso, á Porto Alegre, do paralelo 30, mistificado...

“Mui leal e valorosa cidade de Porto Alegre”
Leremos em tua bandeira, para todo o sempre,
Antiga, Freguesia de São Francisco, Porto dos Casais,
Do “Por do sol”, da Redenção, Porto Alegre...É demais...

    Lani

terça-feira, 19 de março de 2013

PURPURINA DA CALÇADA...




Vida pobre, simples, rotineira,
Ela se levanta todo dia, vai á feira,
Sai de casa cedo, a cada manhã,
Buscar seu sustento é seu único afã...

 Já foi jovem, achava a vida bela,
É claro que só a viu pela janela,
Da casa simples onde com os pais morava,
Ser uma princesa, quando jovem, sonhava...

Vai para a rua, ganha pouco, condução lotada,
Chora ás vezes, não é o que para ela esperava,
Se pudesse voltar atrás, ao lar retornaria,
Pensava não ser feliz, mas, agora ela sabia...

Ao deitar-se, em seu quarto simples, acompanhada,
Com alguém que conheceu a pouco, na calçada,
Vende seu corpo, barato, aceita sua sina,
Sorri, olha para o céu... E vira purpurina...

  Lani

segunda-feira, 11 de março de 2013

NATUREZA FERIDA...


 

Ao ferires este solo que sangrou em agonia,
Não recebeste de volta a mesma agressão ou ironia,
Só a seiva sagrada, produto de tua sangria,
Ao roubares da terra, a árvore, que só sombra fazia...

Chorou ela na certa, pois, qual mãe não choraria,
Ao sentir do próprio filho o golpe, a covardia,
Ao tirar-lhe das entranhas, a raiz, filha, que ela nutria,
Fazendo secar o leite, com o qual a amamentaria...

Homem, ao estenderes a mão, vazia para teu filho,
Do que, por tua culpa não vingou, secou, caiu do galho,
Diga-lhe que assim, os irresponsáveis, agem,
Por isto, para ele, um fruto, será só uma miragem...

E quando a natureza, ferida, mandar-te, o vento forte,
A chuva que destrói te fará chorar, mas, será tarde,
Pois a árvore que te protegia, jogaste ao chão, está inerte,
Agora então, te darás conta... Da maldade que fizeste...

       Lani


segunda-feira, 4 de março de 2013

LÁGRIMAS...




Correm de meus olhos, quentes,
Rolam em minhas faces, insistentes,
Rumam ao coração, que está ausente,
E em minha boca, o gosto amargo de sempre...

Lágrimas doridas, quantas sorvi,
Em noites de ausências de ti,
Em cada uma delas, um pouco morri,
Tanto te quis, mas, não estavas aqui...

De tantas lágrima que derramei,
Minh’alma queria ir embora, não deixei,
Pois se voltasses, novamente t’a daria,
Para estar contigo, em cada noite, em cada dia...

Derramo agora, a lágrima mais sentida,
A que chorarei, por toda minha vida,
Teu amor, comigo levarei para a eternidade,
E lá sozinha, chorarei... A lágrima triste, da saudade...


     Lani