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Recanto das letras

segunda-feira, 1 de abril de 2013

FILHOS DA SECA...


  
Terra retorcida, poeira que se levanta na estrada,
Em desalento segue o homem, em sua solitária caminhada,
Na casa pobre, a família espera, pela água abençoada,
Que sabem, por causa da seca, nem sempre é encontrada...

Quando vejo o gado, pelas estradas morrendo,
De sede e inanição, sob o causticante sol, definhando,
Peço um milagre ao “Pai”, já que dos homens nada espero,
Divida nossa água do sul, com estes irmãos em desespero...

Quem pensa que este povo paga, por dever algum pecado,
Tem de saber que quem está á prova, é de nós o desinteressado,
Por não lutar pelo irmão, sem água, lá do outro lado,
Que para o filho, não consegue, nem prover, o pão sagrado...         

Enquanto os rios secam, os animais sofrem,
Vagando, com sede e fome, morrem,
A chuva não vem, as plantas se consomem,
O sol arde na cabeça e no coração do pobre homem...                     

E quando, alquebrado, cansado, se recosta na rede,
Rogando a Deus para salvar seu filho, inocente,
Que na pobre cama dorme, apesar da fome,
Não chora, poupa a lágrima, mesmo que correr tente,
Pois com ela terá... De amanhã... Saciar deste filho a sede...

          Lani

terça-feira, 26 de março de 2013

PORTO ALEGRE É DEMAIS...

   EM HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO  DE PORTO ALEGRE.




Como não amar-te, minha bela e aconchegante cidade,
Cativas ao viajante, com teu verde exuberante,
Com a cuia na mão, o gaúcho o convida para um mate,
Passear no “Parcão”, num domingo de sol, á tarde...

Comovido te desejo felicidades, te parabenizo,
Abraço-te e digo de meu orgulho de ser teu filho,
Por ti, à padroeira “ Nsa. Sra. dos Navegantes”, peço,
Para que te abençoe, em mais este aniversário...

Percorrendo as margens do Rio Guaíba, encantado,
Que beija teus pés, como amante apaixonado,
Estendendo-se, como manto, caudaloso lago,
Submisso, á Porto Alegre, do paralelo 30, mistificado...

“Mui leal e valorosa cidade de Porto Alegre”
Leremos em tua bandeira, para todo o sempre,
Antiga, Freguesia de São Francisco, Porto dos Casais,
Do “Por do sol”, da Redenção, Porto Alegre...É demais...

    Lani

terça-feira, 19 de março de 2013

PURPURINA DA CALÇADA...




Vida pobre, simples, rotineira,
Ela se levanta todo dia, vai á feira,
Sai de casa cedo, a cada manhã,
Buscar seu sustento é seu único afã...

 Já foi jovem, achava a vida bela,
É claro que só a viu pela janela,
Da casa simples onde com os pais morava,
Ser uma princesa, quando jovem, sonhava...

Vai para a rua, ganha pouco, condução lotada,
Chora ás vezes, não é o que para ela esperava,
Se pudesse voltar atrás, ao lar retornaria,
Pensava não ser feliz, mas, agora ela sabia...

Ao deitar-se, em seu quarto simples, acompanhada,
Com alguém que conheceu a pouco, na calçada,
Vende seu corpo, barato, aceita sua sina,
Sorri, olha para o céu... E vira purpurina...

  Lani

segunda-feira, 11 de março de 2013

NATUREZA FERIDA...


 

Ao ferires este solo que sangrou em agonia,
Não recebeste de volta a mesma agressão ou ironia,
Só a seiva sagrada, produto de tua sangria,
Ao roubares da terra, a árvore, que só sombra fazia...

Chorou ela na certa, pois, qual mãe não choraria,
Ao sentir do próprio filho o golpe, a covardia,
Ao tirar-lhe das entranhas, a raiz, filha, que ela nutria,
Fazendo secar o leite, com o qual a amamentaria...

Homem, ao estenderes a mão, vazia para teu filho,
Do que, por tua culpa não vingou, secou, caiu do galho,
Diga-lhe que assim, os irresponsáveis, agem,
Por isto, para ele, um fruto, será só uma miragem...

E quando a natureza, ferida, mandar-te, o vento forte,
A chuva que destrói te fará chorar, mas, será tarde,
Pois a árvore que te protegia, jogaste ao chão, está inerte,
Agora então, te darás conta... Da maldade que fizeste...

       Lani


segunda-feira, 4 de março de 2013

LÁGRIMAS...




Correm de meus olhos, quentes,
Rolam em minhas faces, insistentes,
Rumam ao coração, que está ausente,
E em minha boca, o gosto amargo de sempre...

Lágrimas doridas, quantas sorvi,
Em noites de ausências de ti,
Em cada uma delas, um pouco morri,
Tanto te quis, mas, não estavas aqui...

De tantas lágrima que derramei,
Minh’alma queria ir embora, não deixei,
Pois se voltasses, novamente t’a daria,
Para estar contigo, em cada noite, em cada dia...

Derramo agora, a lágrima mais sentida,
A que chorarei, por toda minha vida,
Teu amor, comigo levarei para a eternidade,
E lá sozinha, chorarei... A lágrima triste, da saudade...


     Lani

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O PAPA...



 A pomba Santa, de penugens, brancas,
Subiu ao trono, bateu as asas,
Voou mundo afora, abençoou crianças,
Mas, esmoreceu, pois, perdeu as esperanças...

Falou aos fariseus em nome de Jesus,
Não o entenderam e o colocaram na cruz,
Abatido, desiludido, um estampido ouviu,
E a pomba Santa, branca, ferida caiu...

Levantou-se das cinzas abnegado,
As asas e o coração haviam quebrado,
Tentou alçar um último voo, desesperado,
Parou no ar, sabia, o momento havia chegado...

E a pomba Santa, titubeou no tapete vermelho,
Deixou o castelo, recolheu-se ao ninho,
Só quer orar ao Pai, por nós de joelhos, sozinho,
Como se fora agora, apenas... Um simples passarinho...

   Lani

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

MAGIA DA LUA...


 Sabedora de sua magia,
A lua reflete-se na água fria,
Ilumina a noite que se inicia,
Brinca feliz, com uma estrela guia...

Conhecendo seu grande poder,
Não precisa se fazer entender,
Só tem que corações aquecer,
E emprestar sua luz até o amanhecer...

De quantos desmandos é testemunha,
Ao ouvir lamentos se acabrunha,
Não quer que a dor, o sofrimento lhe imponha,
E nem receber de tristeza, a alcunha...

Só pretende brilhar no céu exuberante,
Furtar um doce beijo aos amantes,
Refletir-se no mar, linda, insinuante,
Para entregar-se ao sol, por só mais um instante...

    Lani