Enquanto os acordes do piano enchiam
o teatro,
Propagavam-se, como labaredas de fogo,
preenchendo cada espaço,
O maestro tocando, olhos fixos, puro
encantamento,
As respirações trancadas, silêncio absoluto,
reinando...
Os dedos ágeis incitavam as teclas a lhe
obedecer, seguros,
E delas os sons se sobrepunham, baixos, ou
violentos,
Ora como se quisessem explodir
as paredes e sair pela noite,
Ora como passarinho liberto a encantar com seu
voo suave...
Nos momentos em que as teclas pareciam ser feridas,
Choravam, sob os dedos que como dardos as sangravam,
magoados,
Aos toques fortes gemiam, a dizer de suas tristezas e lamentos,
Tudo silenciava e só se ouvia o farfalhar dos
vestidos, das damas...
Novamente uma tecla é solicitada e ela se
exibe, exuberante,
Corações querem saltar do peito, na magia do
momento envolvente,
O pianista respira fundo e faz o piano soltar
um grito, lancinante,
E o silêncio é quebrado e a
melodia se impõe e domina o ambiente...
A música se instala no ar e na
alma de quem a ouve, neste crescente,
O pianista se levanta se curva e ao público
agradece, humildemente,
Que só então seus cabelos brancos e seus olhos
brilhantes, percebe,
Ele beija comovido seu piano... Que silencia
para sempre...
E de pé é apludido... Neste último concerto...
Comovente...
Lani
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)

.jpg)
.jpg)