A grande pedra rolou morro
abaixo, foi solta por uma rajada mais forte de vento, ou por uma revolta da
natureza, quem sabe... Rolou, feriu, matou, mas ao acabar sua força, ao chegar
lá embaixo, estancou, parou e a ninguém mais atropelou.
Já a outra, a pequena, rola furtivamente,
clandestina que é, não para nunca, não perde a força, continua sempre, ferindo,
machucando, viciando, matando.
Ao acordar, o homem, aturdido, sob a
chuva, não se reconhece mais, vendo -se naquela miséria absoluta, pensa,
“afinal, ainda sou gente ou não passo de um animal?”
- E agora, o que faço comigo mesmo? A chuva
me despertou, me acordou de meu sono
sepulcral e tenho que ver no que a pedra me transformou.
- Por favor, gritou... Juntem todas as
pedras de seus caminhos, as joguem sobre mim, mesmo soterrado por elas, sem
respirar não será tão ruim.
Se fossem pedras de gelo, as veria sumir...
Se fossem pedras do espaço, as veria uma
cratera abrir...
S e fossem as da vida, as veria alguém
ferir...
Mas esta, a maldita, aprisiona, amaldiçoa,
só quer destruir...
E na madrugada chuvosa e fria, neste
momento de lucidez e sofrimento, pensa no que perdeu, a família, os filhos e no
que se tornou, um escravo do vicio, sem moral, sem sonhos, e sem vontade de voltar, de
retroceder.
Quase sem forças, chorando, cambaleando,
levanta-se e sai a caminhar, descalço, pouca roupa, na chuva... Rogando a
DEUS...
Uma pedra...
No caminho...
Para tropeçar, cair e até me machucar...
Mas que ao de novo acordar, tenha uma mão
amiga para me amparar...
Socorrer e ajudar-me a novamente levantar...
Lani