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Recanto das letras

sábado, 9 de julho de 2016

DE MINHA VIDA ÉS PEREGRINO!


És doce perfume, no frasco de teu corpo,
O ar saudável, que tonta respiro,
O sol que me aquece o rosto,
És água pura, de minh’alma o batismo...

És a noite enluarada, em minha companhia,
A estrela que espia e cúmplice, suspira,
A cortina que se afasta, deixando o vento entrar,
És a luz que se apaga, ao meu corpo acariciar...

És a música suave, que aguça meus sentidos,
Fugindo pelas frestas, em loucos desatinos,
Deixando em meus ouvidos, um resto de canção,
És o som das batidas, de meu triste, coração...

És a chama tênue da vela que tremula,
A estrada curva, que por mim passa e continua,
Meu sonho, que gravita paralelo, a teu destino,
És de minha vida... Apenas peregrino...


      Lani (Zilani Celia)

sábado, 25 de junho de 2016

NOSSA INDIFERENÇA!


A noite cai, o frio se instala,
O céu escurece, nenhuma estrela,
Na rua, pelo nevoeiro encoberta,
Uma figura, solitária espreita...

A fome o consome, é insana a agonia,
Queria, uma mão amiga, uma cama macia,
Uma sopa quente, suas entranhas aqueceria,
Uma manta seria, para ele, doação de Maria...

Contrai os olhos, vê um lume, no escuro,
Como fera acuada, temendo o perigo,
Sabe que o golpe é sempre, inesperado,
E a vítima, só mais, uma pedra no asfalto...

O vento sopra forte, lhe açoita o corpo,
Sente-se endurecer, de frio, e de desgosto,
Com seu único amigo, se enrola num canto,
E aperta o cãozinho, de encontro ao peito...

Sua mente embotada se entrega ao sono,
Encosta a cabeça, no colo de um anjo,
Que com voz tão suave, lhe diz ao ouvido,
-Não sofrerás mais, amigo... Enfim... Estás morto...


      Lani ( Zilani Celia)

domingo, 12 de junho de 2016

UM NOVO DIA!



Na noite insone, pesa-me o escuro do quarto,
Dispo-me de ti, olho-me no espelho, quebrado,
As paredes se fecham, vindo ao meu encontro,
Apertam-me como garras, meu peito dilacerando...                          

Rolo na cama e esta, como em chamas,
Queima-me o corpo e as entranhas,
De tristeza choro, por tua indiferença,
Não me ouves, mergulho, em minha descrença...

Entreguei-te, o que de melhor havia em mim,
Se para ti, foi pouco ou nada, enfim,
Buscarei na dor a resignação,
E no tempo, consolar-me com a solidão...

O dia amanhece, restam-me profundas olheiras,
Caminhei toda a noite, rompi fronteiras,
No cansaço da busca, me libertei,
O dia chegou... Sequei as lágrimas e... Levantei...


   Lani  (Zilani Celia)

segunda-feira, 30 de maio de 2016

DELÍRIOS!


 Tua figura em meu devaneio, vejo,
Na chuva, entre um clarão e outro,
Na noite fria, minh’alma sente,
Teus olhos nos meus e uma tristeza de morte...

Tua roupa molhada, colada ao corpo,
A desolação, estampada no rosto,
Na rua, a mala abandonada,
Um ramo de flores, jogado na calçada...

Desembaço o vidro, que me tolhe a visão,
A tristeza me consome, bate-me forte o coração,
Não saio do lugar, estou colada ao chão,
A porta se abre, o vento me toca, volto á razão...

E, no momento em que te perco do foco,
De meu peito escapa, um sentido soluço,
Não estás ali, é só mais um delírio, doído e louco,
De minhas noites...  Na janela debruçada... Sem sono...

      Lani ( Zilani Celia)







segunda-feira, 16 de maio de 2016

PERDÃO DA ALMA!

 Foi forte demais o que senti,
Que de tanto amor me corrompi,
Enganei minh’alma a ela, menti,
E sem nenhuma pena, a entreguei a ti...

Enquanto a levavas, ela me olhava,
Não queria ir, em silêncio, chorava,
Sabia que sofreria, me suplicava,
E de antemão, já me culpava...

O tempo passou, a reencontro agora,
Não é mais menina, sim, uma senhora,
Traz ainda as marcas, de minha traição,
No rosto triste e no fundo, do coração...

Queria pedir, que esquecesse e me perdoasse,
Que, se possível, para mim voltasse,
Lhe imploraria para que, tentasse esquecer,
E diria, o quanto sofri... Enquanto... A via morrer...

    Lani (Zilani Celia)





terça-feira, 3 de maio de 2016

MÃE, UM SONHO ENCANTADO!

Cai a chuva, assustada, desperto,
Ouço seu barulho, forte, no telhado,
Sem respirar, reteso o corpo,
E com medo, na cama me encolho...

O vento se joga, empurrando a porta,
Sacode da cama, a branca colcha,
Tapo a cabeça, fico quieta,
Quando sinto tua mão, tocar a minha testa...

Volto no tempo, me perco em devaneios,                         
Num emaranhado de antigos sentimentos,
Não quero abrir os olhos, para não acordar,
Sei ser um sonho, ali, não podes estar...

E como em criança mãe, chamei por teu nome,
Meu grito triste ecoou, no silêncio da noite,
O anjo, que teu sono velava, sorrindo, me disse,
- Não a acordes, filha!  ... Não vês, que a deixas triste?


     Lani   (Zilani Celia)

quarta-feira, 20 de abril de 2016

PÁTRIA MÃE, BRASIL!

Seus olhos choram, suas tetas secam,
Suas entranhas agitam-se, tem fome de honestidade,
As árvores e as flores ante ela se curvam,
Uma rainha, que nunca perde a majestade...

É gigante, foi ferida de morte, seu grito se ouviu,
A dor foi forte, todo o continente sentiu,
Amargas lágrimas correm, de raiva e de vergonha,
Por ver-se, envolvida em tanta lama...

Por desmandos tiram de seu povo, o emprego,               
Tolhem seus direitos a educação e a saúde,
Predadores matam, não há segurança,
Roubam a dignidade e o futuro da criança...

Vê na fronte erguida o suor de quem labuta,
Seus filhos, sem armas, pintam o rosto, vão à luta,
Empunham o pendão, verde amarelo do céu o anil,
E orgulhosos, entoam o hino... Da Pátria mãe...  Brasil...



     Lani (Zilani Celia)