Seguidores

Recanto das letras

terça-feira, 3 de maio de 2016

MÃE, UM SONHO ENCANTADO!

Cai a chuva, assustada, desperto,
Ouço seu barulho, forte, no telhado,
Sem respirar, reteso o corpo,
E com medo, na cama me encolho...

O vento se joga, empurrando a porta,
Sacode da cama, a branca colcha,
Tapo a cabeça, fico quieta,
Quando sinto tua mão, tocar a minha testa...

Volto no tempo, me perco em devaneios,                         
Num emaranhado de antigos sentimentos,
Não quero abrir os olhos, para não acordar,
Sei ser um sonho, ali, não podes estar...

E como em criança mãe, chamei por teu nome,
Meu grito triste ecoou, no silêncio da noite,
O anjo, que teu sono velava, sorrindo, me disse,
- Não a acordes, filha!  ... Não vês, que a deixas triste?


     Lani   (Zilani Celia)

quarta-feira, 20 de abril de 2016

PÁTRIA MÃE, BRASIL!

Seus olhos choram, suas tetas secam,
Suas entranhas agitam-se, tem fome de honestidade,
As árvores e as flores ante ela se curvam,
Uma rainha, que nunca perde a majestade...

É gigante, foi ferida de morte, seu grito se ouviu,
A dor foi forte, todo o continente sentiu,
Amargas lágrimas correm, de raiva e de vergonha,
Por ver-se, envolvida em tanta lama...

Por desmandos tiram de seu povo, o emprego,               
Tolhem seus direitos a educação e a saúde,
Predadores matam, não há segurança,
Roubam a dignidade e o futuro da criança...

Vê na fronte erguida o suor de quem labuta,
Seus filhos, sem armas, pintam o rosto, vão à luta,
Empunham o pendão, verde amarelo do céu o anil,
E orgulhosos, entoam o hino... Da Pátria mãe...  Brasil...



     Lani (Zilani Celia)

quinta-feira, 31 de março de 2016

NÃO TE DEMORES!

  
Não te demores, se vais mesmo partir,
Não olhe para trás, tranque a porta ao sair,
Para mim, nosso quarto, será qual uma tumba,
Triste, sem luz, envolto na penumbra...

Não vou mais pedir, para ficares,
Nem chorar, quando enfim daqui te fores,
Serei para ti, apenas uma recordação,
Mesmo que leves contigo, meu sofrido coração...

Te dou adeus, com a alma dilacerada,
Sabendo que de mim, não resta, nada,
Como sonâmbula viverei a cada dia,
Vá embora! Ponha fim nesta agonia...

Se vais mesmo partir, não te demores,
Vou estar de pé, quando, de mim, te despedires,
Mesmo que precise estar, acorrentada ao chão,
Para não correr atrás de ti, pegar-te a mão,
E por nada... Pedir-te... Perdão...

      Lani  ( Zilani Celia)


segunda-feira, 21 de março de 2016

PARA TI, LEONARDO!

Toda a vez que te olho menino,
Entregue ao sono, tranquilo,
Tua respiração, leve, ritmada,
Parece-me música, lentamente tocada...

Tua boca se contrai num sorriso,
Na certa sonhas com algo mui lindo,
A mãozinha pequena embala-se no ar,
Inocente, tentas estrelas alcançar...

Acaricio teu lindo rostinho,
É suave, como penas de um passarinho,
Ouço vozes de anjos, cantando teu nome,
Enquanto emana de ti, delicado perfume...

A magnitude deste momento,
Faz meu coração bater cuidadoso, mais lento,
Pois, ver-te Leonardo, no berço dormindo,
Transcende ao mundo... É visão do paraíso...

       Para homenagear a inocência e o quanto de ternura alcança meu coração, a visão de um bebê entregue ao sono, quanto mais, tratando-se do Leonardo, nosso querido netinho mais novo.
  

     Lani ( Zilani Celia)

domingo, 6 de março de 2016

ANTAGÔNICOS SENTIMENTOS!

  Eu me encanto com a beleza da flor,
Vibro, ante a sutileza de sua cor,
Delicadamente tento tocá-la,
Ela frágil, em minhas mãos se despetala...

Cai a chuva, líquido etéreo, em meu corpo,
Abro a boca, tento sentir seu gosto,
Ela queima, não é mais a água benta e sagrada,
Que a alma de todos, antes, lavava...

Eu vejo o sol forte, que no alto brilha,
É lindo, mas, não mais, uma maravilha,
Quando jovem, sob ele me aquecia,
Agora, fujo dos raios, da armadilha...

Me emociono ante o mar e o poder de suas ondas,
Barcos lotados, trazendo a bordo crianças,
Os coletes, não salvam vidas, jazem inertes nas praias,
E elas não sentirão nos pés, o calor das areias...

Me refugio no alto de uma montanha,
Olho meu mundo, que lá embaixo desmorona,
Meus olhos ardem, é a lágrima que teima,
E um pedido de perdão...  No céu, se desenha...


            Lani (Zilani Celia)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

UM LUGAR DE SONHOS!




 Nas margens de capim verde, deito­ ao luar,
Onde a paz se faz constante e estrelas, posso alcançar,
Ali tudo fica mais lento, até o vento parece dançar,
Uma trilha é apenas caminho e mais longe, alcança o olhar...

Ao ritmo das ondas, uma criança ninar,
Embalando recordações bendizer, ainda poder sonhar,
Um barquinho de papel por na água, a navegar,
Levando meus desejos, para além, em alto mar...

No barulho do vento, ouvir uma doce canção,
Cada folha caindo, ser um bailado em execução,
No lindo azul que pinta o céu, como tela de pintor,
Apreciar a obra prima, de Deus, Nosso Senhor...

Ver flores se espalharem, como manto no entardecer,
Cobrindo todo o caminho, poder ali adormecer,
E, ao acordar, emocionada, querer agradecer,
À natureza pelo espetáculo... De cada alvorecer...

    Lani (Zilani Celia)





quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

QUARTA FEIRA DE CINZAS!


 A cada bloco que passa, invade a avenida,
Com a cara pintada, é palhaço da vida,
Sabe ser esta noite, o final, a despedida,
E, qual louco dança, ao embalo da música...

A fantasia, mais uma vez é usada,
Está velha, sem cor, desbotada,
Companheira constante, de loucos carnavais,
Nela secou muitas lágrimas e abafou tristes ais...

A última escola aponta, ele se perfila,
Treme todo, uma oração, balbucia,
Fecha os olhos, se sente o mestre sala,
E respeitoso se curva, ante a porta bandeira...

A quarta feira o acorda, de seu sonho lisérgico,
A mão da musa, não mais, acaricia seu rosto,
Num derradeiro estertor, canta ainda um enredo,
E, o carnaval... Beija o asfalto...  Num esforço supremo...

 Lani ( Zilani Celia)