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Recanto das letras

sábado, 17 de outubro de 2015

GOTAS AMARGAS !

 Arranco a pele que me envolve,
Exponho vivas, as marcas do desgosto,
Vazio de vida entrega-se, meu corpo,
Exangue, já quase um moribundo...

Meus pés tropeçam em pedras e palavras,
Afundam na lama, de fúteis sentimentos,
Transmutam sonhos, em horríveis pesadelos,
Que me acompanham, nas frias madrugadas...

Recolho galhos, sem rosas, só com espinhos,
Rasgam-me as mãos, a dor é desumana,
Agonizante, fustigo minh´alma profana,
E impiedosa, não lhe ouço os gemidos...

Tomo do fel, que me queima as entranhas,
Em delírio, grito, coisas loucas e insanas,
De minha boca escorrem, gotas amargas...
De puro sangue...  Suor...  E lágrimas...

     Lani ( Zilani Celia)





quarta-feira, 7 de outubro de 2015

EXORCIZANDO!


                                                                                           Imagem-Christian Schloe
Rasga a roupa, joga longe os sapatos,
Tira a presilha dos longos cabelos,
Levanta as mãos como que, a suplicar,
Por um perdão, que não sabe, onde encontrar...

Corre pr’a rua, quer fugir de si mesma,
Uma luz no escuro, lhe mostra o caminho, acesa,
Entra sem medo, na mata verde, cerrada,
Que misteriosa, a envolve e abraça...

Os pássaros, com flores, cobrem-lhe a nudez,
A fada do lago sorri, ante sua timidez,
A árvore como mãe, a acolhe em seu regaço,
Ela suspira e lentamente, rende-se ao cansaço...

Um raio de sol surge, vem aquecer seu rosto,
Sorri, não tem mais tristeza e nenhum desgosto,
Não há mais nada, que precise exorcizar,
Nesta noite conseguiu...  A si mesma, resgatar...


   Lani ( Zilani Celia)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A LOUCA DO PARQUE!

 A cada gota que cai, a tarde fica mais fria,
Meu coração chora, sofre em agonia,
Olho para o céu e peço que me atinja, um raio,
Enquanto corro descalça, tropeço e caio...

Levanto, dou vazão ao meu sofrimento,
O sangue surge, a água lava, por um momento,
Logo, volta a jorrar desenfreado, 
Meu corpo ferido dói, ah, pobre coitado...

Após tantas quedas, minha roupa está suja, rasgada,
A chuva aumenta, pessoas passam, nem sou notada,
Grito teu nome e aos quatro ventos, minha desdita,
Embora saiba, que por ti...  Não serei ouvida...

Hoje, quero chorar sozinha, á vontade,
Deixar, correrem as lágrimas, ter de mim piedade,
Sentir toda a tristeza, que minh’alma invade,
E, ser apenas... A louca, molhada, do parque...

       Lani  (Zilani Celia)






sexta-feira, 11 de setembro de 2015

FEITIÇO DA LUA!


Cálida é a brisa quando a pele toca,
O corpo todo em transe se arrepia,
Sensação de banho, doce fragrância,
 Água abundante, corrente e fria...

Figuras etéreas, nuas ao luar,
Vivendo a magia, que a noite trás,
Frementes suspiros, suave calor,
Nas faces coradas, um leve rubor...

A mata, também virgem, exala leve perfume,
Faz no chão um tapete, com infinidade de flores,
Orquestra os pássaros, para, em uníssono cantar,
E manda cada estrela, com mais intensidade brilhar...

Comungam juntos, deste momento encantado,
Despertam para a vida e para o amor, consumado,
Ela menina, mergulha, em entrega profunda,
E, com ele, se faz mulher...  Sob o feitiço da lua...


         Lani (Zilan Celia)

sábado, 29 de agosto de 2015

DESESPERANÇA !

 Resignadamente, caminho ao encontro,
Do que a vida ainda queira me dar,
Nada mais peço, nem nada pergunto,
Apenas sigo, sem saber o que vou encontrar...

Já desfilei em grandes passarelas,
Corri sem medo, em sujas vielas,
Voei em grandes sonhos, bem alto,
Mas, também tropecei e caí no asfalto...

Levantei tantas vezes, não aprendi,
Que, cada queda é p’ra lembrar, eu esqueci,
Cobri meus olhos, com a venda da ilusão,
Sem ouvir, o que sussurrava meu aflito, coração...

Agora, preciso que me levantem ao cair,
Sozinho, enfraquecido, não sei para onde ir,
Estendo as mãos para um mundo, que já não é meu,
Passou tão rápido, foi embora...  E de mim esqueceu...

   
  Lani ( Zilani Celia)




sexta-feira, 14 de agosto de 2015

FIDELIDADE !


Sinto-me paralisado, estou triste o frio é tão forte,
Que enregela o corpo e deixa minh´alma descrente,
Te amei por uma vida inteira, sinceramente,
Não entendo, porque não estás aqui, como sempre...

Partiste ontem, vi quando entraste no carro,
Era noite, corri atrás, mas, me perdi no escuro,
Uivei o mais que pude, não deste ouvidos ao meu chamado,
Chorei amigo, não entendi ires embora, teres me deixado...

Não me importa se minha vida se esvai pouco a pouco,
A neve cai, permaneço aqui, tratam-me como louco,
Sei, que se eu sair e voltares, não vais me encontrar,
Estou tão sozinho, tenho medo, venha me buscar...

Meus olhos estão pesados, já quase não me movo,
Estou confuso, brinco contigo, sinto-me feliz de novo,
Lambo tua mão, sinto teu cheiro, há! Como te amo...
Não sei viver sem ti, não me abandone... Meu dono...



    Lani ( Zilani Celia )

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A ENCHENTE !


  
A natureza reage, em franca revolta,
Empurra pessoas, arrebenta a parede, abre a porta,
Incita o rio, a despejar-se e a correr solto,
E ele, em devaneio a obedece e se lança como louco...

Inunda tudo, não perdoa, nem a criança,
Que vê, seu brinquedo arrastado, pela água, atônita,
Abraça a mãe, que chora desesperada,
Por sua vida, que está pela chuva, sendo levada...

Não podem voltar, a casa está alagada,
O que já foi um lar, é só escombros, mais nada,
Só querem um dique, para a água ser represada,
Mas, ele jaz morto, numa suja papelada...

Vem o sol, todos vão esquecer,
Menos ele, que sabe, vai voltar a chover,
O pai da menina triste, com olhos secos, azuis,
Terá de nadar na lama, de sua casa, de sua rua e de seu país...


    

          Texto com o qual me solidarizo, com as famílias gaúchas que foram atingidas pelas últimas chuvas e que, ano após ano perdem tudo e mesmo assim recomeçam, na esperança de um dia serem olhadas e tratadas com a dignidade que merecem.


             Lani (Zilani Celia)