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Recanto das letras

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A LOUCA DO PARQUE!

 A cada gota que cai, a tarde fica mais fria,
Meu coração chora, sofre em agonia,
Olho para o céu e peço que me atinja, um raio,
Enquanto corro descalça, tropeço e caio...

Levanto, dou vazão ao meu sofrimento,
O sangue surge, a água lava, por um momento,
Logo, volta a jorrar desenfreado, 
Meu corpo ferido dói, ah, pobre coitado...

Após tantas quedas, minha roupa está suja, rasgada,
A chuva aumenta, pessoas passam, nem sou notada,
Grito teu nome e aos quatro ventos, minha desdita,
Embora saiba, que por ti...  Não serei ouvida...

Hoje, quero chorar sozinha, á vontade,
Deixar, correrem as lágrimas, ter de mim piedade,
Sentir toda a tristeza, que minh’alma invade,
E, ser apenas... A louca, molhada, do parque...

       Lani  (Zilani Celia)






sexta-feira, 11 de setembro de 2015

FEITIÇO DA LUA!


Cálida é a brisa quando a pele toca,
O corpo todo em transe se arrepia,
Sensação de banho, doce fragrância,
 Água abundante, corrente e fria...

Figuras etéreas, nuas ao luar,
Vivendo a magia, que a noite trás,
Frementes suspiros, suave calor,
Nas faces coradas, um leve rubor...

A mata, também virgem, exala leve perfume,
Faz no chão um tapete, com infinidade de flores,
Orquestra os pássaros, para, em uníssono cantar,
E manda cada estrela, com mais intensidade brilhar...

Comungam juntos, deste momento encantado,
Despertam para a vida e para o amor, consumado,
Ela menina, mergulha, em entrega profunda,
E, com ele, se faz mulher...  Sob o feitiço da lua...


         Lani (Zilan Celia)

sábado, 29 de agosto de 2015

DESESPERANÇA !

 Resignadamente, caminho ao encontro,
Do que a vida ainda queira me dar,
Nada mais peço, nem nada pergunto,
Apenas sigo, sem saber o que vou encontrar...

Já desfilei em grandes passarelas,
Corri sem medo, em sujas vielas,
Voei em grandes sonhos, bem alto,
Mas, também tropecei e caí no asfalto...

Levantei tantas vezes, não aprendi,
Que, cada queda é p’ra lembrar, eu esqueci,
Cobri meus olhos, com a venda da ilusão,
Sem ouvir, o que sussurrava meu aflito, coração...

Agora, preciso que me levantem ao cair,
Sozinho, enfraquecido, não sei para onde ir,
Estendo as mãos para um mundo, que já não é meu,
Passou tão rápido, foi embora...  E de mim esqueceu...

   
  Lani ( Zilani Celia)




sexta-feira, 14 de agosto de 2015

FIDELIDADE !


Sinto-me paralisado, estou triste o frio é tão forte,
Que enregela o corpo e deixa minh´alma descrente,
Te amei por uma vida inteira, sinceramente,
Não entendo, porque não estás aqui, como sempre...

Partiste ontem, vi quando entraste no carro,
Era noite, corri atrás, mas, me perdi no escuro,
Uivei o mais que pude, não deste ouvidos ao meu chamado,
Chorei amigo, não entendi ires embora, teres me deixado...

Não me importa se minha vida se esvai pouco a pouco,
A neve cai, permaneço aqui, tratam-me como louco,
Sei, que se eu sair e voltares, não vais me encontrar,
Estou tão sozinho, tenho medo, venha me buscar...

Meus olhos estão pesados, já quase não me movo,
Estou confuso, brinco contigo, sinto-me feliz de novo,
Lambo tua mão, sinto teu cheiro, há! Como te amo...
Não sei viver sem ti, não me abandone... Meu dono...



    Lani ( Zilani Celia )

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A ENCHENTE !


  
A natureza reage, em franca revolta,
Empurra pessoas, arrebenta a parede, abre a porta,
Incita o rio, a despejar-se e a correr solto,
E ele, em devaneio a obedece e se lança como louco...

Inunda tudo, não perdoa, nem a criança,
Que vê, seu brinquedo arrastado, pela água, atônita,
Abraça a mãe, que chora desesperada,
Por sua vida, que está pela chuva, sendo levada...

Não podem voltar, a casa está alagada,
O que já foi um lar, é só escombros, mais nada,
Só querem um dique, para a água ser represada,
Mas, ele jaz morto, numa suja papelada...

Vem o sol, todos vão esquecer,
Menos ele, que sabe, vai voltar a chover,
O pai da menina triste, com olhos secos, azuis,
Terá de nadar na lama, de sua casa, de sua rua e de seu país...


    

          Texto com o qual me solidarizo, com as famílias gaúchas que foram atingidas pelas últimas chuvas e que, ano após ano perdem tudo e mesmo assim recomeçam, na esperança de um dia serem olhadas e tratadas com a dignidade que merecem.


             Lani (Zilani Celia)





sexta-feira, 24 de julho de 2015

ENTRADA PROIBIDA!

 
Vens, desfazes a cama e deitas, basta que queiras,
Sem nenhuma pergunta, com mentiras perfeitas,
A tomas como dono e ela, em silêncio se entrega,
Como o faz a flor, ao ser da haste arrancada...

Cada lágrima que rola, transforma-se em pedra,
Afoito, nem percebes, que baixinho ela diz, - chega,
No cenário do quarto, a vês na cama, perfeita,
E, teu olhar de felino, pela caça, se inflama...

Na penumbra, da noite, teu corpo suado, brilha,
Fremente a amas e ela, como sempre te aceita,
Seu rosto angelical é agora, uma máscara, desfigurada,
E, enquanto te vestes ela espera, parada, feito estátua...

Novamente, irás embora, retomarás tua vida,
Com olhos tristes, acompanha tua saída,
Para ela, foi a última vez, a despedida,
Para ti, sua porta está fechada...  Tua entrada proibida...

      Lani (Zilani Celia)


terça-feira, 14 de julho de 2015

INVERNO DA ALMA!

O vento sopra mais forte, meu olhar entristece,
Revejo teu vulto, que numa nuvem, desaparece,
Novamente, gritei teu nome, inutilmente,
Te afastastes de mim, sem te voltares, rapidamente...

Silente, permaneci sozinha, naquele lugar,
Tendo apenas, sombras a me acompanhar,
Ali, que já fora, nosso ninho de amor,
É agora, apenas lembrança, sem nenhum calor...

Por todo o sempre, acalentei no peito tua saudade,
Em meu coração, inconsequente e sem idade,
Que foi fiel e latente, sem conseguir postergar,
O sofrimento, pois em nenhum momento, deixou de te amar...

O frio da tarde, me trás à mente, deste dia o desgosto,                                          
Caminho na mesma praça, sentindo na boca, o amargo gosto,
Da lágrima que corre e congela, em meu rosto cansado,
Se quebrando, como meus sonhos...  Endurecidos, lá no passado...


Lani      ( Zilani Celia) 

    Peço desculpas aos amigos que haviam comentado neste texto, pois hoje dia 14- 07, zerou tudo, está sem comentários embora muitos estiveram aqui, coisas da net.  Bjs