Vejo-me ali, pela
fresta da porta,
Sou eu, nua e crua,
quase morta,
Rolam as lágrimas,
mas, não me importa,
Ser pelo mundo,
friamente julgada...
Cerro os punhos,
ferindo com as unhas, as mãos,
Parada, sem defesa,
sem reação,
Todos os dedos em
riste, em minha direção,
Bato no peito e digo,
- Pequei, mas, nunca por omissão...
Não permito que fechem
a porta,
Quero ver-me,
curvada, entregue, exposta,
Se tudo para mim,
hora se acaba,
Descerei com
dignidade os degraus de minha escada...
E, ao chegar ao
último, ao derradeiro,
Quero que vejam uma a
uma, as rugas de meu rosto,
E o esgar que
entreabrir meus lábios, puro escárnio,
Seja, a irônica gargalhada... De quem, pela vida toda,
Teve o riso...
Aprisionado na garganta...
Lani
( Zilani Celia)
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