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Recanto das letras

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

REDENÇÃO...

                                     

Figura solitária que caminha, sem destino,
Agora um homem, mas, no coração, um menino,
Sofrido, como pássaro que abandona o ninho,
Deixou o que de mais caro tinha e segue agora, sozinho...

Para, em frente à casa que outrora foi sua, no escuro,
Houve dos filhos as vozes e de seu peito o soluço,
Triste, ali fica chorando, a Deus pedindo perdão,
Desesperado crava as unhas, sangrando a palma da mão...

Traçou o próprio destino é da vida peregrino,
Trás no corpo as marcas, de seus desatinos,
Toda a noite percorre, o mesmo caminho,
Só para ver, mesmo de longe, seus pequeninos...

A porta se abre, ele corre em sua direção,
Quer fugir, está travado, ouve a própria pulsação,
Uma mãozinha pequena, segura a sua, não consegue fugir,
-Vem papai, me conta uma história, está na hora de dormir...



          Lani      (Zilani Celia)

domingo, 23 de novembro de 2014

MOMENTO INESQUECÍVEL...

 Os olhos se cruzam, por um momento,
Já se olharam assim, faz muito tempo,
A mente aguçada, lhe trás à lembrança,
Um jovem bonito, quase criança...

Vê-se, também menina, naquele olhar,
Com belo vestido de festa, está com ele a dançar,
Sente seu braço forte, enlaçando sua cintura,
Num rasgo de lucidez, entende ser, pura loucura...

A atração é tão forte que não mais resiste,
Ele continua a fitá-la, ninguém mais existe,
Entrega-se à música, o abraça, carinhosamente,
Deixa levar-se e rodopiam, languidamente...

São tantas as luzes que a deixam tonta,
Sente que o tempo passou, dá-se conta,
O príncipe ainda existe, mas, só em seu pensamento,
Emocionada sorri, por reviver... Aquele lindo momento...

      Lani   (Zilani Celia)



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

CORPO ERRANTE...

      Agradeço ao amigo J.R. Viviani, pela organização do  "3º prosas poéticas" e divulgo aqui o texto com o qual participei do evento.
 

Após percorrer tantos caminhos,
Carente de verdadeiros sentimentos,
Revelo os invernos que gelaram minh’alma,
Que carente se entrega, submissa e calma...

Sou corpo errante, em noites de chuva fria,
Que se abriga no escuro, na mais pura agonia,
Sem conforto, sem um sincero abraço,
Dentes cerrados, tremendo, de frio e cansaço...

Arrasto-me, de encontro ao injustificado,
Sofrendo perdas, pelo tanto que tenha errado,
Acuso no peito, cada golpe, em mim desferido,
A dor é intensa, e o sangrar é desmedido...

Ao raiar o dia, inicia meu novo calvário,
Coloco a máscara, num gesto arbitrário,
Suturo as chagas...  Estanco o sangue...
Rasgo a boca, para sorrir...  Exangue...


          Lani   (Zilani Celia)

     

sábado, 1 de novembro de 2014

EFEMERIDADES...

 A melodia a envolve e ela a sente,
Sua mente se expande, suavemente,
Desce as escadas, elegantemente,
O vestido leve, em seu corpo enrosca, como serpente...

De seus verdes olhos, saltam, faíscas flamejantes,
De seus lábios vermelhos, sorrisos, nada inocentes,
De seus cabelos, como ouro, luzes emanam,
De seu corpo perfeito, os sentidos, assomam...

Caminha, seu andar é de uma deusa,
Não é mais menina, é mulher adulta, feita,
Monopoliza olhares, finge não se dar conta,
Tem todos aos seus pés, sabe que os encanta...

Atravessa o salão da vida, é sua dança derradeira,
No lado oposto, o vazio, só a solidão a espreita,
Tenta postergar o tempo, que passou, foi embora,
Seu mundo mudou... Está só... E isto a apavora...

          Lani      (Zilani Celia)





segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ILUSÃO PERDIDA...


Desperta, senta na cama e reza,
Pensa no que fazer se só começou o dia,
Não tem ninguém, triste e fundo, suspira,
Está só, com a própria companhia...

Levanta-se, com gestos lentos veste a roupa,
Uma agonia imensa, seu pensamento, povoa,
A neve insiste em cair, congelando a rua,
Atingindo sua alma, que fria, continua...

Sai, andando pela calçada,
Muitos rostos, que não lhe dizem nada,
Estranhos, para quem, um sorriso mendiga,
Peito dorido, corpo sentindo, profunda fadiga...

Queria rogar, lhe voltasse o tempo,
Que trouxesse um amor, puro e sem sofrimento,
Juraria senti-lo, até seu último alento,
Morreria feliz, teria vivido...  Um lindo momento...


             Lani           ( Zilani Celia)



sábado, 11 de outubro de 2014

POR TEU DIA, CRIANÇA...


Consentes contente, criança,
Que a vida se estabeleça,
Em ti faz-se a flor que enfeita a vida,
Resplandece toda a natureza...

Abre-se uma pequena concha,
Expondo a mais pura pérola,
 Que no amor concebeu-se, vida,
 E, sua essência, cultiva...

Deves crescer entre risos e afagos,
Acreditando, que há fadas nos lagos,
Que a família é teu porto seguro,
Zelando, por teu lindo futuro...

Protegida, como o bem mais sagrado,
Retribuirás um dia, todo este cuidado,
Feliz, crescerás, sabendo-te amada,
Criança, és por “Deus”... Todo o dia, abençoada...


Lani                   (Zilani Celia)
            Para homenagear meu neto  Pedro e querendo que ele saiba o tanto que representa para nossa família e o quanto de amor que por ele temos.
       Que todas as crianças do mundo recebam  respeito, carinho e o cuidado dos quais são merecedoras.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A LENDA DA SEREIA...



À luz da lua, transforma-se em mulher,
Sai à cata, de um incauto qualquer,
O seduz com seu canto o torna cativo,
O conduz, ao sonho, rumo ao infinito...

Em seus cabelos, os movimentos do mar,
Seu corpo molhado reluzindo, ao luar,
Faz da penumbra, Seu véu de sedução,
O mistério que a envolve, é dele a perdição...

Sua pele macia exala o cheiro, da flor,
Sua boca entoa cânticos, ao amor,
O enlaça, num abraço mágico, encantado,
Seu corpo ao dele se funde, num ato consumado...

                Assim, o encanta e ele entregue adormece,
O orvalho, cúmplice, sabe o que acontece,
Que ao raiar do dia, não mais estarão na areia,
Ele foi para o fundo do mar...  Seguiu a sereia...


   Lani               (Zilani Celia)