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Recanto das letras

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

CORPO ERRANTE...

      Agradeço ao amigo J.R. Viviani, pela organização do  "3º prosas poéticas" e divulgo aqui o texto com o qual participei do evento.
 

Após percorrer tantos caminhos,
Carente de verdadeiros sentimentos,
Revelo os invernos que gelaram minh’alma,
Que carente se entrega, submissa e calma...

Sou corpo errante, em noites de chuva fria,
Que se abriga no escuro, na mais pura agonia,
Sem conforto, sem um sincero abraço,
Dentes cerrados, tremendo, de frio e cansaço...

Arrasto-me, de encontro ao injustificado,
Sofrendo perdas, pelo tanto que tenha errado,
Acuso no peito, cada golpe, em mim desferido,
A dor é intensa, e o sangrar é desmedido...

Ao raiar o dia, inicia meu novo calvário,
Coloco a máscara, num gesto arbitrário,
Suturo as chagas...  Estanco o sangue...
Rasgo a boca, para sorrir...  Exangue...


          Lani   (Zilani Celia)

     

sábado, 1 de novembro de 2014

EFEMERIDADES...

 A melodia a envolve e ela a sente,
Sua mente se expande, suavemente,
Desce as escadas, elegantemente,
O vestido leve, em seu corpo enrosca, como serpente...

De seus verdes olhos, saltam, faíscas flamejantes,
De seus lábios vermelhos, sorrisos, nada inocentes,
De seus cabelos, como ouro, luzes emanam,
De seu corpo perfeito, os sentidos, assomam...

Caminha, seu andar é de uma deusa,
Não é mais menina, é mulher adulta, feita,
Monopoliza olhares, finge não se dar conta,
Tem todos aos seus pés, sabe que os encanta...

Atravessa o salão da vida, é sua dança derradeira,
No lado oposto, o vazio, só a solidão a espreita,
Tenta postergar o tempo, que passou, foi embora,
Seu mundo mudou... Está só... E isto a apavora...

          Lani      (Zilani Celia)





segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ILUSÃO PERDIDA...


Desperta, senta na cama e reza,
Pensa no que fazer se só começou o dia,
Não tem ninguém, triste e fundo, suspira,
Está só, com a própria companhia...

Levanta-se, com gestos lentos veste a roupa,
Uma agonia imensa, seu pensamento, povoa,
A neve insiste em cair, congelando a rua,
Atingindo sua alma, que fria, continua...

Sai, andando pela calçada,
Muitos rostos, que não lhe dizem nada,
Estranhos, para quem, um sorriso mendiga,
Peito dorido, corpo sentindo, profunda fadiga...

Queria rogar, lhe voltasse o tempo,
Que trouxesse um amor, puro e sem sofrimento,
Juraria senti-lo, até seu último alento,
Morreria feliz, teria vivido...  Um lindo momento...


             Lani           ( Zilani Celia)



sábado, 11 de outubro de 2014

POR TEU DIA, CRIANÇA...


Consentes contente, criança,
Que a vida se estabeleça,
Em ti faz-se a flor que enfeita a vida,
Resplandece toda a natureza...

Abre-se uma pequena concha,
Expondo a mais pura pérola,
 Que no amor concebeu-se, vida,
 E, sua essência, cultiva...

Deves crescer entre risos e afagos,
Acreditando, que há fadas nos lagos,
Que a família é teu porto seguro,
Zelando, por teu lindo futuro...

Protegida, como o bem mais sagrado,
Retribuirás um dia, todo este cuidado,
Feliz, crescerás, sabendo-te amada,
Criança, és por “Deus”... Todo o dia, abençoada...


Lani                   (Zilani Celia)
            Para homenagear meu neto  Pedro e querendo que ele saiba o tanto que representa para nossa família e o quanto de amor que por ele temos.
       Que todas as crianças do mundo recebam  respeito, carinho e o cuidado dos quais são merecedoras.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A LENDA DA SEREIA...



À luz da lua, transforma-se em mulher,
Sai à cata, de um incauto qualquer,
O seduz com seu canto o torna cativo,
O conduz, ao sonho, rumo ao infinito...

Em seus cabelos, os movimentos do mar,
Seu corpo molhado reluzindo, ao luar,
Faz da penumbra, Seu véu de sedução,
O mistério que a envolve, é dele a perdição...

Sua pele macia exala o cheiro, da flor,
Sua boca entoa cânticos, ao amor,
O enlaça, num abraço mágico, encantado,
Seu corpo ao dele se funde, num ato consumado...

                Assim, o encanta e ele entregue adormece,
O orvalho, cúmplice, sabe o que acontece,
Que ao raiar do dia, não mais estarão na areia,
Ele foi para o fundo do mar...  Seguiu a sereia...


   Lani               (Zilani Celia)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A ÁRVORE...

 Te prendes ao solo e dele absorves a vida,
Sempre ao relento, só, desprotegida,
Enquanto jovem, do vento podes ser vítima,
E pela tempestade, arrancada e destruída...

Resistes e cresces sabedora de tua missão,
Vais dar frutos e sombra, com dedicação,
Ao desabrigado, darás guarida para dormir,
E ao menino, o prazer de em teus galhos subir...

Quando frondosa, o ninho agasalharás ao chover,
Em teu regaço, o pássaro cantará ao alvorecer,
Na noite quente, receberás do orvalho a frescura,
Como no inverno, sentirás do frio a agrura...

Ao chegar, o outono te tirará folha a folha, implacável,
A ele te entregarás, mas, farás um tapete admirável,
E quando na primavera, florires novamente,
Enfeitarás a mãe natureza, garbosa... Exuberante...

       Lani     (Zilani Celia)
  




segunda-feira, 8 de setembro de 2014

CAMINHANTES DA NOITE...

                                                                                       Imagem- Dorina Costras.
Descortinou-se a noite em fria madrugada,
Seguem os dois, trôpegos, caminhando pela calçada,
Numa nudez miserável, o corpo ela mostra,
Trapos imundos e insuficientes, já nem se importa...

Seriam pessoas ou espectros assustadores,
Não sentem fome nem frio, só da alma, os ardores,
São meros escravos, do escuro que finda,
E do dia, que injusto os mostra, mais reais ainda...

Quem passa se afasta, os olhando de lado,
Nem percebem o desprezo, de que são alvo,
Ele, em viagem, se apoia, no ombro dela,
Ela sorri, fora de si, pensa estar numa passarela...

E num vai e vem, sem rumo, sempre a andar,
Buscam o nada, que nem sabem onde encontrar,
Só esperam a lua amiga, lhes trazer o luar,
Para voltarem ao sonho... E, numa estrela, voar...


                    Lani        (Zilani Celia)