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Recanto das letras

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ILUSÃO PERDIDA...


Desperta, senta na cama e reza,
Pensa no que fazer se só começou o dia,
Não tem ninguém, triste e fundo, suspira,
Está só, com a própria companhia...

Levanta-se, com gestos lentos veste a roupa,
Uma agonia imensa, seu pensamento, povoa,
A neve insiste em cair, congelando a rua,
Atingindo sua alma, que fria, continua...

Sai, andando pela calçada,
Muitos rostos, que não lhe dizem nada,
Estranhos, para quem, um sorriso mendiga,
Peito dorido, corpo sentindo, profunda fadiga...

Queria rogar, lhe voltasse o tempo,
Que trouxesse um amor, puro e sem sofrimento,
Juraria senti-lo, até seu último alento,
Morreria feliz, teria vivido...  Um lindo momento...


             Lani           ( Zilani Celia)



sábado, 11 de outubro de 2014

POR TEU DIA, CRIANÇA...


Consentes contente, criança,
Que a vida se estabeleça,
Em ti faz-se a flor que enfeita a vida,
Resplandece toda a natureza...

Abre-se uma pequena concha,
Expondo a mais pura pérola,
 Que no amor concebeu-se, vida,
 E, sua essência, cultiva...

Deves crescer entre risos e afagos,
Acreditando, que há fadas nos lagos,
Que a família é teu porto seguro,
Zelando, por teu lindo futuro...

Protegida, como o bem mais sagrado,
Retribuirás um dia, todo este cuidado,
Feliz, crescerás, sabendo-te amada,
Criança, és por “Deus”... Todo o dia, abençoada...


Lani                   (Zilani Celia)
            Para homenagear meu neto  Pedro e querendo que ele saiba o tanto que representa para nossa família e o quanto de amor que por ele temos.
       Que todas as crianças do mundo recebam  respeito, carinho e o cuidado dos quais são merecedoras.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A LENDA DA SEREIA...



À luz da lua, transforma-se em mulher,
Sai à cata, de um incauto qualquer,
O seduz com seu canto o torna cativo,
O conduz, ao sonho, rumo ao infinito...

Em seus cabelos, os movimentos do mar,
Seu corpo molhado reluzindo, ao luar,
Faz da penumbra, Seu véu de sedução,
O mistério que a envolve, é dele a perdição...

Sua pele macia exala o cheiro, da flor,
Sua boca entoa cânticos, ao amor,
O enlaça, num abraço mágico, encantado,
Seu corpo ao dele se funde, num ato consumado...

                Assim, o encanta e ele entregue adormece,
O orvalho, cúmplice, sabe o que acontece,
Que ao raiar do dia, não mais estarão na areia,
Ele foi para o fundo do mar...  Seguiu a sereia...


   Lani               (Zilani Celia)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A ÁRVORE...

 Te prendes ao solo e dele absorves a vida,
Sempre ao relento, só, desprotegida,
Enquanto jovem, do vento podes ser vítima,
E pela tempestade, arrancada e destruída...

Resistes e cresces sabedora de tua missão,
Vais dar frutos e sombra, com dedicação,
Ao desabrigado, darás guarida para dormir,
E ao menino, o prazer de em teus galhos subir...

Quando frondosa, o ninho agasalharás ao chover,
Em teu regaço, o pássaro cantará ao alvorecer,
Na noite quente, receberás do orvalho a frescura,
Como no inverno, sentirás do frio a agrura...

Ao chegar, o outono te tirará folha a folha, implacável,
A ele te entregarás, mas, farás um tapete admirável,
E quando na primavera, florires novamente,
Enfeitarás a mãe natureza, garbosa... Exuberante...

       Lani     (Zilani Celia)
  




segunda-feira, 8 de setembro de 2014

CAMINHANTES DA NOITE...

                                                                                       Imagem- Dorina Costras.
Descortinou-se a noite em fria madrugada,
Seguem os dois, trôpegos, caminhando pela calçada,
Numa nudez miserável, o corpo ela mostra,
Trapos imundos e insuficientes, já nem se importa...

Seriam pessoas ou espectros assustadores,
Não sentem fome nem frio, só da alma, os ardores,
São meros escravos, do escuro que finda,
E do dia, que injusto os mostra, mais reais ainda...

Quem passa se afasta, os olhando de lado,
Nem percebem o desprezo, de que são alvo,
Ele, em viagem, se apoia, no ombro dela,
Ela sorri, fora de si, pensa estar numa passarela...

E num vai e vem, sem rumo, sempre a andar,
Buscam o nada, que nem sabem onde encontrar,
Só esperam a lua amiga, lhes trazer o luar,
Para voltarem ao sonho... E, numa estrela, voar...


                    Lani        (Zilani Celia)

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

ALIENAÇÃO...



Olha-se no espelho, no escuro, é noite,
Vê-se, mas, não mais se reconhece,
Solta os cabelos, que lhe caem aos ombros,
E magicamente, é conduzida, de volta aos sonhos...

Retira as roupas, se desvencilha,
Lentamente, uma a uma, ao chão, as lança,
A música está tão alta que a deixa tonta,
Os sapatos joga longe e sozinha, dança...

Assim como veio ao mundo, sem nada, nua,
Das vaidades, despida e de alma pura,
Aliena-se de um mundo que a rejeita,
E, resignadamente, seu destino, aceita...

Já não está sozinha, naquela hora,
Abraça a própria imagem, que no espelho chora,
Quer secar suas lágrimas, não as alcança,
Perdeu a razão... Por falta de esperança,
Sorri, pensa ver um anjo... Voltou a ser criança...


     Lani               (Zilani Celia)

domingo, 17 de agosto de 2014

FINGIDA HARMONIA...


  
O silêncio pesa, entra pelas entranhas,
Nenhum som, nem ao menos palavras estranhas,
Dois seres agora, ocupando lugares diversos,
Nem os olhos se encontram, pensamentos dispersos...

Suas almas repousam, de sofrer, cansadas,
Em noites vazias, sós, desesperançadas,
Em jazigo perpétuo, cada sonho enterrado,
E o pranto ecoando, nas paredes do quarto...

Cama coberta, com lençóis de dissabores,
Não é mais macia, endurecida por rancores,
Carinhos não feitos, paralisados, adormecidos,
Engessados em tempos, já quase esquecidos...

E, enquanto o amor, lhes escorre da vida,
A solidão se agiganta, grande, desmedida,
Representam uma harmonia, irreal e fingida,
Na qual sucumbem... Morrendo um pouco, a cada dia...


         Lani        (Zilani Celia)