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Recanto das letras

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

A ÁRVORE...

 Te prendes ao solo e dele absorves a vida,
Sempre ao relento, só, desprotegida,
Enquanto jovem, do vento podes ser vítima,
E pela tempestade, arrancada e destruída...

Resistes e cresces sabedora de tua missão,
Vais dar frutos e sombra, com dedicação,
Ao desabrigado, darás guarida para dormir,
E ao menino, o prazer de em teus galhos subir...

Quando frondosa, o ninho agasalharás ao chover,
Em teu regaço, o pássaro cantará ao alvorecer,
Na noite quente, receberás do orvalho a frescura,
Como no inverno, sentirás do frio a agrura...

Ao chegar, o outono te tirará folha a folha, implacável,
A ele te entregarás, mas, farás um tapete admirável,
E quando na primavera, florires novamente,
Enfeitarás a mãe natureza, garbosa... Exuberante...

       Lani     (Zilani Celia)
  




segunda-feira, 8 de setembro de 2014

CAMINHANTES DA NOITE...

                                                                                       Imagem- Dorina Costras.
Descortinou-se a noite em fria madrugada,
Seguem os dois, trôpegos, caminhando pela calçada,
Numa nudez miserável, o corpo ela mostra,
Trapos imundos e insuficientes, já nem se importa...

Seriam pessoas ou espectros assustadores,
Não sentem fome nem frio, só da alma, os ardores,
São meros escravos, do escuro que finda,
E do dia, que injusto os mostra, mais reais ainda...

Quem passa se afasta, os olhando de lado,
Nem percebem o desprezo, de que são alvo,
Ele, em viagem, se apoia, no ombro dela,
Ela sorri, fora de si, pensa estar numa passarela...

E num vai e vem, sem rumo, sempre a andar,
Buscam o nada, que nem sabem onde encontrar,
Só esperam a lua amiga, lhes trazer o luar,
Para voltarem ao sonho... E, numa estrela, voar...


                    Lani        (Zilani Celia)

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

ALIENAÇÃO...



Olha-se no espelho, no escuro, é noite,
Vê-se, mas, não mais se reconhece,
Solta os cabelos, que lhe caem aos ombros,
E magicamente, é conduzida, de volta aos sonhos...

Retira as roupas, se desvencilha,
Lentamente, uma a uma, ao chão, as lança,
A música está tão alta que a deixa tonta,
Os sapatos joga longe e sozinha, dança...

Assim como veio ao mundo, sem nada, nua,
Das vaidades, despida e de alma pura,
Aliena-se de um mundo que a rejeita,
E, resignadamente, seu destino, aceita...

Já não está sozinha, naquela hora,
Abraça a própria imagem, que no espelho chora,
Quer secar suas lágrimas, não as alcança,
Perdeu a razão... Por falta de esperança,
Sorri, pensa ver um anjo... Voltou a ser criança...


     Lani               (Zilani Celia)

domingo, 17 de agosto de 2014

FINGIDA HARMONIA...


  
O silêncio pesa, entra pelas entranhas,
Nenhum som, nem ao menos palavras estranhas,
Dois seres agora, ocupando lugares diversos,
Nem os olhos se encontram, pensamentos dispersos...

Suas almas repousam, de sofrer, cansadas,
Em noites vazias, sós, desesperançadas,
Em jazigo perpétuo, cada sonho enterrado,
E o pranto ecoando, nas paredes do quarto...

Cama coberta, com lençóis de dissabores,
Não é mais macia, endurecida por rancores,
Carinhos não feitos, paralisados, adormecidos,
Engessados em tempos, já quase esquecidos...

E, enquanto o amor, lhes escorre da vida,
A solidão se agiganta, grande, desmedida,
Representam uma harmonia, irreal e fingida,
Na qual sucumbem... Morrendo um pouco, a cada dia...


         Lani        (Zilani Celia)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

PAI!


   Escrevi esta poesia pensando em meu pai, que já não se encontra mais aqui em presença física, mas, que estará vivo para sempre em meu coração.

                            "PAI"

Quando pequena, me deste a mão, não tive medo,
Eras meu pai, me mostraste a vida e seus segredos,
E eu confiante, segui em frente, sempre te vendo,
Um passo atrás, me dando amparo, me protegendo...

Quando crescida, fui para a escola me ensinaste,
Que, estudar era preciso, fazia parte,
Escrevi teu nome em meu caderno, te orgulhaste,
Vi em teu rosto, todo o carinho com que me olhaste...

Ao ficar adulta segui à vida, mas, sempre te vi,
Quietinho, a me olhar de longe e, não entendi,
Que sem palavras, me preparavas, para viver sem ti,
Sabias que eu ficaria só...  Que, não estarias mais aqui...

Pai, tua falta me dói... Quero sentir de novo, teu abraço...
Pousar a cabeça em teu ombro e falar-te do meu cansaço...
Como em criança, em teu colo adormecer e feliz, sonhar...
Com nós dois... De mãos dadas... Novamente, a passear...



                        Lani   (Zilani Celia)

       

  Para meu marido, Luiz Rossatto, nosso abraço carinhoso por seu dia, eu e teus filhos, Inaliz, Alessandro e Tiago .

                        
   Para o Alessandro, nosso filho, que é pai do querido neto Pedro, um grande beijo.

PARA TODOS OS PAPAIS QUE POR AQUI PASSAREM MEU GRANDE ABRAÇO.

Zilani Celia.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

TATUAGEM AO LUAR...

  
  
Num ritual, solitário e sagrado,
Em bela noite de luar,
Tatuou o nome dela, no corpo,
O sangue lavou no mar...

A água tingiu-se de vermelho,
A lua refletiu, como se, um espelho,
O rosto pálido, os lábios crispados,
E, adeus, a sofrimentos represados...

As lágrimas, formaram grandes ondas,
Que correram céleres, jogando, espumas brancas,
Encobriram a cena, prevendo o gesto impuro,
Não deixaram ninguém ver, tornaram o dia, escuro...

Lançou-se ao mar, alma estática, corpo ereto,
Entregou-se ele, do sofrer liberto,
Brilhou, no peito ferido, o nome escrito,
Gravado com o sangue... Que por ela, foi vertido...

          Lani              (Zilani Celia)




domingo, 20 de julho de 2014

INCOERÊNCIAS...


 
Há! Se te falasse tudo que pensa,
Diria que te ama e te odeia, de forma intensa,
E, quando afirmasse, que és tudo para ela,
Não saberias, se verdade ou mais incoerências dela...

Se um dia disser, para ires embora,
Seu coração aflito, dirá que não chegou a hora,
Que fala, só da boca pr’a fora,
Para não acreditares, no que te diz agora...

E, quando achares que a tens na mão,
Verás, que é pedra preciosa, sem lapidação,
Assim, se quiseres que seja, tua joia rara,
Terás, que admirar o brilho, que dela emana...

E, depois de grandes esforços e conquistas,
De muitas flores e promessas descabidas,
Ao perguntares, se quer contigo, dividir a vida,
Poderá dizer que sim... Ou, não...  Que, está arrependida...

  Lani                           (Zilani Celia)