Descortinou-se a
noite em fria madrugada,
Seguem os dois, trôpegos,
caminhando pela calçada,
Numa nudez
miserável, o corpo ela mostra,
Trapos imundos e insuficientes,
já nem se importa...
Seriam pessoas ou
espectros assustadores,
Não sentem fome
nem frio, só da alma, os ardores,
São meros
escravos, do escuro que finda,
E do dia, que injusto
os mostra, mais reais ainda...
Quem passa se
afasta, os olhando de lado,
Nem percebem o
desprezo, de que são alvo,
Ele, em viagem, se
apoia, no ombro dela,
Ela sorri, fora
de si, pensa estar numa passarela...
E num vai e vem,
sem rumo, sempre a andar,
Buscam o nada,
que nem sabem onde encontrar,
Só esperam a lua amiga, lhes trazer o luar,
Para voltarem ao
sonho... E, numa estrela, voar...
Lani (Zilani Celia)

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