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Recanto das letras

sábado, 21 de junho de 2014

MILAGRES DA NATUREZA...


  
Ouviu-se na noite, escura e quente,
Um grito forte, lancinante,
De dor, tristeza, angustiante,
Era o vento, ao ver a árvore, agonizante...

Parou, fez-lhe um carinho, seguiu em frente,
Uma lágrima sentida rolou, insistentemente,
Precisava correr, tentar impedir,
Pois, já ouvia o estrondo, de outra árvore a cair...

Empurrou com força, o homem que a mutilava,
Sem entender porque, só no escuro as derrubava,
Queria, com seu sopro pará-lo, seu corpo ferir,
Mas, havia outro e mais uma serra a zunir...

O vento, impotente e triste, se pôs a chorar,
Pensa em toda a terra, com seu pranto alagar,
Mas, ao ver cair da árvore morta, um passarinho,
Para e se amansa...  Só p’ra salvar, o filhotinho...

        Lani                     (Zilani Celia)


quarta-feira, 11 de junho de 2014

ETERNOS NAMORADOS...



Noite de inverno, fria, céu estrelado,
Coloca um xale nos ombros,
Sai pr'a rua, caminha sobre os escombros,
De um antigo sonho, pela vida, adiado...

Vai, até o parque da esquina, passos cansados,
Nesta hora vazio, como os corações dos abandonados,
Iluminados pela lua, seus cabelos brancos,
Refletem as luzes e seus desencantos...

Ele se foi, não esquece aquele momento,
Disse que voltaria, mas, faz tanto tempo,
Já não o espera a saudade é seu alento,
Enrola-se no xale e clama, pelo esquecimento...

A luz no parque, pouco ilumina,
Reconhece o vulto que dela se aproxima,
Senta ao seu lado e chora, num pranto pungente,
Pede perdão... A abraça e beija... Como antigamente...


                          Lani                      (Zilani Celia)

segunda-feira, 2 de junho de 2014

VERSOS QUE CHORAM...



Versos, não são só palavras soltas, eflúvios,
São sim, pedaços de vidas, escritos,
Sentimentos, pela mente do poeta, urdidos,
Que os sente, como se por ele fossem vividos...

Versos escorrem da alma como do vulcão a lava,
Se, falam de amor, trazem consigo o perfume da flor,
Mas, se da tristeza tirou inspiração, ao compor,
O pobre poeta sofreu, pois de cada um, assimilou a dor...

Versos, que se expandem na voz do declamador,
 Entregues em sonhos, para as rimas ele compor,
 Formando suaves ondas, alcançam no céu os anjos,
São assim, transformados em poesias, poemas e cantos...

Versos são como filhos, trazendo pedaços de nós,
Ao dizê-los, do poeta embarga-se a voz,
Pois sabe, que ao último poema da vida declamar,
Verá cada um de seus versos... No papel...  A chorar...


        Lani           ( Zilani Celia)

sábado, 24 de maio de 2014

O CANTO DO PASSARINHO...



Escuto um pássaro, cantar ao longe,
Acho tão lindo presto atenção, ele se esconde,
Onde estará e chorará por quem?
Só um coração triste, tamanha tristeza, contém...

À medida que o ouço, algo me vem à mente,
Como tão pequenino, cantar assim tão pungente,
Emociona quem o ouve, ecoa tão longe,
Um lamento, que soa, dolorosamente...

O som, de uma grande árvore vinha,
Vi seu ninho vazio, seria por isso que choraria?
Ou, quem sabe pela poluição, que a cidade encobria?
Talvez pelo menino, que esmola na esquina pedia...

Daquela tarde no parque ainda lembro,
O tempo vai longe, mas, não esqueço o pobrezinho,
Nunca saberei, por que chorava o passarinho,
Mas, sei que não era canto... Era sim... Um sentido pranto...


          Lani            (Zilani Celia)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

CORAÇÃO ALADO...

  
Ah! Coração!
Lembro-te jovem, com belas asas,
Voando alto, buscando sonhos,
E, era tão bom e eram tantos...

Vem comigo, vamos buscá-los no vento,
Mesmo sendo, nosso último alento,
Reviver cada um, nem que só por um dia,
Depois, exorcizá-los, na hora da Ave-Maria...

E após cada sonho, reencontrado,
Dar-lhe adeus, como se fora vivenciado,
Pertenceu a um tempo hora distante,
D’um passado já morto, o mundo seguiu em frente...

Ah! Coração... Velho, cansado,
Se já não podes voar, então, sonha acordado,
Mantenha contigo a essência da criança,
Está tudo aí... Gravado em tua lembrança...

     Lani               (Zilani Celia)


sábado, 10 de maio de 2014

MÃES SÃO ESTRELAS...



Voei alto em meu pensamento,
Alcancei as alturas, o firmamento,
Tentando saber o que me diria o vento,
Coração aflito para falar, mas, sem tempo...

Querendo algo, que não tivesse sido dito,
Especial, saído da alma, alto, como se um grito,
Dizer-te do amor que ainda trago no peito,
Que em vida, não soube dar-te direito...

Imaginando abraçar-te, como antigamente,
Choro a saudade, de tua figura, ainda presente,
Faz-me falta, teu afeto, forte, pulsante,
Deito-me a noite, para contigo sonhar, novamente...

Mas, mensagens, me chegam do céu, tão pungentes,
Que a mãe, ao partir, fica do lado do “Pai”, para sempre,
Sentada num trono, bordado de estrelas, flamejantes,
No colo um anjo... Que a chama de mãe... Pelo filho, ausente...


       Lani                  (Zilani Celia)

terça-feira, 6 de maio de 2014

DE VOLTA À VIDA...


Olha por uma fresta o mundo,
Surpreende-se, por um só segundo,
Pois, sabe que reclusa, sonhos não construiu,
Alienada, por tanto tempo esteve, que nada viu...

A luz, clara se esgueira, lhe ofusca a visão,
O ar puro penetra, preenche seu coração,
O sol que entra a aquece se faz presente,
Olha a lua e chora, pelo tanto que esteve ausente...

Seu olhar é tímido, como da adolescente, menina,
A cada passo, se equilibra como o faz o malabarista,
Pensa ter asas d’um pássaro, se lança no espaço,
Joga-se, corajosa ao vento, sem medo ou cansaço...

À solidão, que por tanto tempo lhe foi companheira,
Dá adeus, pois agora, ela é dor passageira,
Dos próprios escombros, ressurge forte, inteira,
Volta à vida, renasce...  É mulher...  É guerreira...


               Lani             (Zilani Celia)