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Recanto das letras

segunda-feira, 2 de junho de 2014

VERSOS QUE CHORAM...



Versos, não são só palavras soltas, eflúvios,
São sim, pedaços de vidas, escritos,
Sentimentos, pela mente do poeta, urdidos,
Que os sente, como se por ele fossem vividos...

Versos escorrem da alma como do vulcão a lava,
Se, falam de amor, trazem consigo o perfume da flor,
Mas, se da tristeza tirou inspiração, ao compor,
O pobre poeta sofreu, pois de cada um, assimilou a dor...

Versos, que se expandem na voz do declamador,
 Entregues em sonhos, para as rimas ele compor,
 Formando suaves ondas, alcançam no céu os anjos,
São assim, transformados em poesias, poemas e cantos...

Versos são como filhos, trazendo pedaços de nós,
Ao dizê-los, do poeta embarga-se a voz,
Pois sabe, que ao último poema da vida declamar,
Verá cada um de seus versos... No papel...  A chorar...


        Lani           ( Zilani Celia)

sábado, 24 de maio de 2014

O CANTO DO PASSARINHO...



Escuto um pássaro, cantar ao longe,
Acho tão lindo presto atenção, ele se esconde,
Onde estará e chorará por quem?
Só um coração triste, tamanha tristeza, contém...

À medida que o ouço, algo me vem à mente,
Como tão pequenino, cantar assim tão pungente,
Emociona quem o ouve, ecoa tão longe,
Um lamento, que soa, dolorosamente...

O som, de uma grande árvore vinha,
Vi seu ninho vazio, seria por isso que choraria?
Ou, quem sabe pela poluição, que a cidade encobria?
Talvez pelo menino, que esmola na esquina pedia...

Daquela tarde no parque ainda lembro,
O tempo vai longe, mas, não esqueço o pobrezinho,
Nunca saberei, por que chorava o passarinho,
Mas, sei que não era canto... Era sim... Um sentido pranto...


          Lani            (Zilani Celia)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

CORAÇÃO ALADO...

  
Ah! Coração!
Lembro-te jovem, com belas asas,
Voando alto, buscando sonhos,
E, era tão bom e eram tantos...

Vem comigo, vamos buscá-los no vento,
Mesmo sendo, nosso último alento,
Reviver cada um, nem que só por um dia,
Depois, exorcizá-los, na hora da Ave-Maria...

E após cada sonho, reencontrado,
Dar-lhe adeus, como se fora vivenciado,
Pertenceu a um tempo hora distante,
D’um passado já morto, o mundo seguiu em frente...

Ah! Coração... Velho, cansado,
Se já não podes voar, então, sonha acordado,
Mantenha contigo a essência da criança,
Está tudo aí... Gravado em tua lembrança...

     Lani               (Zilani Celia)


sábado, 10 de maio de 2014

MÃES SÃO ESTRELAS...



Voei alto em meu pensamento,
Alcancei as alturas, o firmamento,
Tentando saber o que me diria o vento,
Coração aflito para falar, mas, sem tempo...

Querendo algo, que não tivesse sido dito,
Especial, saído da alma, alto, como se um grito,
Dizer-te do amor que ainda trago no peito,
Que em vida, não soube dar-te direito...

Imaginando abraçar-te, como antigamente,
Choro a saudade, de tua figura, ainda presente,
Faz-me falta, teu afeto, forte, pulsante,
Deito-me a noite, para contigo sonhar, novamente...

Mas, mensagens, me chegam do céu, tão pungentes,
Que a mãe, ao partir, fica do lado do “Pai”, para sempre,
Sentada num trono, bordado de estrelas, flamejantes,
No colo um anjo... Que a chama de mãe... Pelo filho, ausente...


       Lani                  (Zilani Celia)

terça-feira, 6 de maio de 2014

DE VOLTA À VIDA...


Olha por uma fresta o mundo,
Surpreende-se, por um só segundo,
Pois, sabe que reclusa, sonhos não construiu,
Alienada, por tanto tempo esteve, que nada viu...

A luz, clara se esgueira, lhe ofusca a visão,
O ar puro penetra, preenche seu coração,
O sol que entra a aquece se faz presente,
Olha a lua e chora, pelo tanto que esteve ausente...

Seu olhar é tímido, como da adolescente, menina,
A cada passo, se equilibra como o faz o malabarista,
Pensa ter asas d’um pássaro, se lança no espaço,
Joga-se, corajosa ao vento, sem medo ou cansaço...

À solidão, que por tanto tempo lhe foi companheira,
Dá adeus, pois agora, ela é dor passageira,
Dos próprios escombros, ressurge forte, inteira,
Volta à vida, renasce...  É mulher...  É guerreira...


               Lani             (Zilani Celia)

quarta-feira, 23 de abril de 2014

(DE) MENTE...


  
Acordo assustada e onde estou não sei,
Num momento triste da vida, no qual me condensei,
Aprisionada, onde eu mesma me amarrei,
E, com incoerência meus sonhos desintegrei...

Se, nem lembranças restaram de minha história,
Cansada, alojo-me no escuro, alma desconsolada,
Como demente, a delirar, mente embotada,
Quero lembrar, mas, não posso, estou fortemente amarrada...

E no vazio que me envolve, fico me procurando,
Reconheço-me, num átomo de segundo,
Sou a imagem ainda gravada em minha mente,
Não a desfigurada, que vislumbro, insistentemente...

Meu espírito sofre, preso a um corpo decadente,
Vou libertá-lo, deixá-lo ir embora, livremente,
Abrir, o grilhão imaginário, que a ele me prende,
Assim, sem mim... Será livre, novamente...

Lani              (Zilani Celia)





sábado, 12 de abril de 2014

UM CORPO VAZIO...


 Deu adeus baixinho, sussurrando,
Ao ver o amor, se afastando,
Lentamente pelo escuro se envolvendo,
E sua figura, ir pouco a pouco se apagando...

Era apenas um corpo, ali plantado, parado,
O coração batendo forte, querendo acordá-lo,
Pulava em seu peito, desesperado,
Ele não se movia e não atendia seu chamado...

Suas veias pulsavam, como um rio bravio,
E ele paralisado, com o semblante doentio,
Seu sangue corria nas veias, em ebulição,
Vendo tudo chocar-se, como água num paredão...

Seus olhos vermelhos, rasos de lágrimas,
Que não corriam, paradas, estupefatas,
Queriam jogar-se, inundar lhe as faces,
Fazê-lo atrás do amor correr, talvez isto adiantasse...

As pernas se dobraram, ele caiu de joelhos,
Não há como ouvir do corpo os apelos,
Pois a alma cansada com o amor foi embora,
Deixou o corpo vazio...  Só com lembranças, agora...

      
  Lani              (Zilani Celia)