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Tarde
fria, cai a chuva lentamente,
Descerro
a cortina do pensamento, suavemente,
Olho
pela janela e vejo no vidro se formarem figuras,
De bailarinas, que dançam, envoltas em brumas...
Meu
coração triste, confrangido se encolhe,
Com
os punhos cerrados, bate forte em meu peito,
Corre
para um canto, acabrunhado se esconde,
Não
quer mais sofrer, diz ter este direito...
Meus
olhos permanecem cerrados, choram,
Tento
abri-los não querem ver, se negam,
Minhas
pernas continuam paralisadas,
Não
se afastam, estão às lembranças algemadas...
Mas
minh’alma, ah, esta inconsequente, traiçoeira,
Salta
na chuva e vai, em busca da imagem derradeira,
E
através da vidraça, por meu choro, embaçada,
Mostra-nos,
felizes... Abraçados... Na calçada molhada...
Lani
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