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Recanto das letras

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A LUA POR TESTEMUNHA...


Enquanto a lua banha de prata toda a terra,
A noite desce, por campos e estradas, sobe a serra,
E lá no alto, abre os braços, faz o sinal da cruz,
Abraça o mundo, louvando ao Mestre Jesus...

E a mata virgem, agora explode em perfumes e cores,
Aproveita a cumplicidade do escuro, brinda aos novos amores,
E no ar se espalha o fértil pólen das flores,
A fera se abranda e se acasala, do vento, se ouvem clamores...

As estrelas surgem no céu, libertas, brilhantes,
Sabem que a noite é efêmera, só lhes dura um instante,
Correm para o mar e se miram neste espelho ondulante,
E ali na imensidão, se convencem que seu brilho é constante...

O universo, com a lua prateada como testemunha, atua,
Os anjos se acomodam nos berços, descem a terra, impura,
O homem na calada da noite, uma guerra manipula,
Em desespero... A natureza chora e gesticula...
Para impedi-lo de cavar... A própria sepultura...

    Lani


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O MENINO PASSARINHO...





Pela cidade se esgueira invisível, sem ninguém,
Pessoas passam, o olham, mas, não o veem,
Franzino, menino, homem, alguém,
Pensa se está na vida, ou se já, no além...

Enquanto o dia passa, esconde-se na fumaça,
Indefeso, a mercê da maldade que o abraça,
Procura uma moeda, jogada ao chão,
Que na certa, não será para comprar o pão...

Já quase inconsciente, inerte, nada mais sente,
E a vida agora bonita, redemoinho de cores, mente,
O leva ao sonho, às vezes medonho, doente,
Enquanto definha, criança perdida, ausente...

Num canto escuro, por instinto se abriga,
Enrosca-se e nos próprios braços se acalenta,
Talvez sonhe que é a mãe que o coloca no ninho,
E no frio da noite, sozinho... Voou... O pequeno passarinho...

  Lani

domingo, 14 de outubro de 2012

POEMA INACABADO...



     Desde jovem o poeta e ela, vinham neste banco sentar,
     Sob esta árvore frondosa, com lindas flores a adornar,
     Fazendo juras de amor, para ela a recitar,
     Enquanto ouviam, abraçados, os pássaros a cantar...

     Juntos faziam planos, vida longa sem desenganos,
     E assim o poeta cantou, em versos por muitos anos,
     Agora só, ele vem para a praça lentamente,
     Traz o velho caderno, companheiro de todo o sempre...

     Senta no banco todas as tardes, a escrever sem parar,
     É o poema do adeus, que não consegue acabar,
     Gesticula com as mãos, como se a quisesse alcançar,
     Está ele, como sempre, para ela a declamar...

     O sol já se põe no horizonte, e ele continua ali sentado,
     Com a derradeira estrofe, do verso, agora acabado...
     O velho poeta, enfim, havia descansado...
     E o caderno em seu colo jazia...
     Pelas lágrimas banhado...

        Lani

         Com este texto participei do " I° PROSAS POÉTICAS " do amigo e escritor J. R. Viviani,
ao qual agradeço.
                      abrçs        
                                 
     

sábado, 6 de outubro de 2012

FELIZ ANIVERSÁRIO, ALESSANDRO...




      Na vertente de água cristalina de nossas vidas, cada filho que nos vêm, é como se fosse uma pequena gota desta água, que será sorvida lentamente, dia após dia, ano após ano e da qual nunca esqueceremos o sabor.
     A vertente, não seca, continua a nos fornecer esta gota vital, com a qual nos abastecemos e matamos a sede deste filho.
     Conforme ele cresce, esta gota, já não lhe é mais suficiente, ele precisa de mais água, pois aumentou sua sede, do saber, do conhecer, do viver e do caminhar com seus próprios pés, então ele vai em busca disso.
     Mas, ao se deparar com a imensidão do mar, afoito que está prova desta água e ao sentir seu sabor salgado, arrefece o ímpeto e aprende, que a água do mar está toda a sua frente e na qual pode se lançar a qualquer momento, mas, a que mata realmente sua sede, é aquela que lhe foi oferecida, gota a gota e que estará sempre ali, quando dela precisar, na vertente da vida e do verdadeiro amor...

     Filho querido, recebe esta mensagem de tua família que te ama muito.

     Escrevi este texto, pela passagem do aniversário de meu filho Alessandro, dia 7 de outubro.

          Lani





segunda-feira, 1 de outubro de 2012

NATUREZA...

imagem- josephine wall

Como mãe, te mostras mágica e bondosa,

Esbanjando beleza, doação, vida e amor,
Se choras, molhas a terra, quando sofrida e seca,
Ao sorrir, mandas o sol, em todo seu esplendor...

Para matar a fome, fazes brotar o fruto que amadurece,
Com a sombra fresca, combates o escaldante calor,
O vento, carregando a poeira, o solo varre,
Deixas que ele corra livre, pelos montes, é senhor...

Ao acordares, fresca, exalando o perfume das flores,
Espreguiçando-te ao sol, languidamente,
Enfeitas-te, de muitas cores e sabores,
Banhas o corpo virgem, em água corrente...

 Natureza, que na noite clara, também linda te mostras,
 Com estrelas fazes um brilhante colar,
 Enrolas-te insinuante, nas nuvens da primavera,
 Nua... Te cobres com flores... Esperando o dia raiar...


  Lani