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Recanto das letras

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

POUCO TEMPO


     Saudade de um tempo em que para tudo havia tempo, cuja única premissa era viver cada momento!
     A vida rolou, o tempo passou, cresci, amadureci, casei, tive filhos e o tempo...
     Ah! O implacável tempo cobrou.
     Flores plantadas e colhidas, pedras lançadas e recebidas, feridas cicatrizadas ou sangrando e golpes sentidos e desferidos.
     Envolta nestas lembranças, pétalas prateadas caem, como uma garoa fina que aos poucos se dissipa, revelando, que a prata é de meus cabelos, pintados pelo inexorável tempo e a névoa que ora me envolve, nada mais é que os mistérios de um tempo futuro, com pressa... Agora, quase sem tempo...
     E no olhar saudoso onde se revela o passado, lágrimas correm para um tempo ainda ignorado, e na quimera de um tempo saudoso, vivido, escoa-se a esperança, do que não volta mais, passou, pois pelo tempo foi vencido.
     Este mesmo tempo que já tive em minhas mãos e esqueci, escorre agora rapidamente entre meus dedos, levando consigo, tudo que não vivi...
     Tempo, se um dia novamente voltares, e se eu ainda estiver aqui, traga-me de volta o que é meu de direito e que não lembro, porque o que lembro, podes ficar, pois está gravado em meu peito e mesmo lutando contra ti, tempo, nunca sairá daqui...
    
     Lani
      

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A DESPEDIDA



     Voz entrecortada,
     Lágrima suspensa,
     A mão estendida,
     Tremula, na despedida!

     Choro sentido, só por dentro,
     Na boca um sorriso,
     Um arremedo,
     Da alma, um lamento!

     Seu canto é um gemido,
     Chorado, seco, doído,
     Palavras sussurradas, ao vento,
     Que não alcançam seus ouvidos!

     Cantando sua desdita,
     Na vida não mais acredita,
     Soltando a voz para ganhar a vida,
     E no fundo de um copo, fazendo a despedida!

     Na canção triste está sua história,
     Seu amor partiu, foi embora,
     Levou consigo sua alma dorida,
     E a deixou aqui, só...  Vazia... Quase sem vida!

        Lani

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

RETRATO DA SAUDADE



  Quando lembro daquele retrato, da sala da minha infância,
  Vejo o olhar, o braço protetor sobre o ombro,
  Gravados em minha memória de criança,
  E ele lá, valentemente pendurado...

 Á medida que eu crescia,
 Ele se apagava, desaparecia,
 Um grande fascínio sobre mim exercia,
 Até quando, pensava... Ele resistiria?

E se na noite escura eu tinha medo,
Espiava pelo vão da porta entreaberta, ainda lembro,
La estavam eles na parede da sala,
Sorriam para mim carinhosamente e eu me acalmava...

Entre meus devaneios de criança, cresci,
O quadro da parede da sala, antevi,
Sendo dali retirado, deteriorado,
Mas eu ainda vi os dois, lá juntinhos, abraçados...

O retrato da sala de minha infância se apagou,
Mas em minha lembrança a imagem se solidificou,
Meu pai e minha mãe, bonitos, felizes, abraçados,
Para sempre em meu coração, assim estão gravados...

Lani

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A ÚLTIMA VALSA


     Com seu vestido de baile vermelho, maquiagem perfeita, cabelos soltos nos ombros, ela olhou-se no espelho, e gostou do que viu.
     Sabia ser sua noite derradeira, já havia decidido, sem ele não viveria.
     Ser trocada por outra, nunca admitiria.
     Assim, decidiu, com seu vestido de noite, vermelho, em seus braços morreria.
     Quando a orquestra começou a tocar, uma linda valsa de strauss, contrariando os costumes, altiva, atravessou o salão, e foi convidá-lo para dançar, todos pararam para olhar. Com a outra, esta noite ele não ficaria, ela não iria deixar.
     Com os olhos marejados, olhou para ela, era bonita, mas não passava de uma menina, como ele podia fazer isto comigo, se jurou que para sempre me amaria?
     Á medida que a valsa evoluía, ela o abraçava, e surpresa notou que ele correspondia, até beijou-lhe os cabelos, numa carícia quase divina, agora, ela já nada mais entendia.
     Ao passarem pela moça que dançava, ele disse, “conheces, esta é minha prima?”
     Seus olhos se arregalaram, o ar sumiu, as pernas dobraram, ele a sustentou...
     -Tarde demais, ainda pensou...
     -É o efeito do veneno que já começou...
     Pelo espelho a sua frente, o viu desesperado, chorando...
     E ela, com seu lindo vestido vermelho, expirando...
     Olhos fechando...     Morrendo...  
     Imaginando... 
     Com ele, sua ultima valsa dançando...

       Lani